Curitiba - O procurador regional eleitoral, Néviton Guedes, recomendou, em parecer apresentado ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) que a denúncia de irregularidades no chamado Comitê Lealdade - formado por candidatos a vereador dissidentes do PRTB - em relação ao prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB) seja arquivada. No entanto, há indícios, segundo o parecer, que o comitê de apoio à campanha de reeleição de Beto tenha movimentado recursos não declarados durante as eleições.
Guedes pediu o encaminhamento do caso ao promotor eleitoral de primeira instância para que as suspeitas de irregularidades em relação a outras pessoas envolvidas no caso sejam investigadas. O procurador era titular da investigação até o momento porque Beto Richa tem direito a foro privilegiado.
O caso do Comitê Lealdade foi denunciado à Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) em junho por Rodrigo Oriente, ex-funcionário comissionado da Prefeitura de Curitiba. A principal prova apresentada por ele foi um vídeo no qual foram registradas conversas e entrega de dinheiro de Alexandre Gardolinski, ex-coordenador do Comitê para ex-candidatos a vereador do PRTB. A fita foi considerada prova ilícita uma vez que ela só poderia ser admitida caso um participante das conversas gravadas autorizasse sua divulgação.
O procurador afirma no parecer que as testemunhas ouvidas, com exceção de Oriente, negam os fatos narrados por ele. E que o envolvimento do prefeito Beto Richa não foi confirmado. O procurador aponta que ''não há certeza do que, da totalidade das despesas do referido Comitê, foi ou não registrado junto à Justiça Eleitoral''. ''Não há dúvida, como se passa a demonstrar, que, no âmbito do 'Comitê Lealdade', há arrecadação de valores e realização de despesas da campanha de Carlos Alberto Richa que, de pronto e sem qualquer dúvida, revelam-se ilícitas'', completa.
Para o procurador-geral do município e advogado da campanha de Beto em 2008, Ivan Bonilha, o parecer aponta que ''incontestavelmente as acusações contra o prefeito são falsas''. Bonilha diz que Beto deverá analisar agora se tomará medidas judiciais contra Oriente.
Os vereadores da oposição ao prefeito na Câmara comemoraram as conclusões do procurador. ''Ele confirmou que houve caixa 2 e de forma alguma isentou o prefeito. Haverá um aprofundamento das investigações'', adiantou
a vereadora Professora Josete (PT). Segundo ela, a oposição continuará a coletar assinaturas para instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o caso.

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