MPE irá abrir investigação sobre contas de Beto Richa
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quinta-feira, 14 de agosto de 2014
Edson Ferreira<br>Reportagem Local 
O Ministério Público Eleitoral (MPE) opinou pela irregularidade da prestação de contas parcial da coligação "Todos Pelo Paraná", que tem como candidato à reeleição o governador Beto Richa (PSDB). Em parecer divulgado ontem, o procurador regional eleitoral, Alessandro José Fernandes de Oliveira, afirmou que "não tem cabimento" declaração feita pela coligação do tucano à Justiça Eleitoral sobre as movimentações financeiras do primeiro mês de campanha. Para o procurador, existem "indicativos" de supostos crimes eleitorais como "caixa dois e abuso do poder econômico". Ele afirmou que o MPE vai abrir investigação específica sobre o caso.
Na primeira prestação de contas parcial, que todos os candidatos eram obrigados a entregar ao TRE entre 28 de julho e 2 de agosto, o tucano afirmou que houve arrecadação e gasto "zero". Mas, no último sábado, a juíza do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná Renata Estorilho Baganha atendeu representação proposta pela coligação "Paraná Olhando pra Frente", da candidata ao governo Gleisi Hoffmann (PT), e deu prazo de 48 horas ao tucano para que ele apresentasse valores. Para a chapa petista, os "adesivos, panfletos, além de fotos e notícias veiculadas na internet" pela coligação de Beto confrontariam a informação de movimentação "zero" repassada por ele. O argumento foi acatado pela juíza.
O coordenador jurídico da campanha de Beto, Cristiano Hotz, informou que apresentou hoje, a pedido da juíza, uma declaração retificadora atualizada, mostrando receita de R$ 2,1 milhões e despesas de R$ 675,3 mil. "A primeira doação entrou no caixa no dia 1º de agosto (segundo ele, depois da entrega ao TRE da primeira prestação de contas parcial) e os pagamentos começaram a ser feitos agora. Como faríamos pagamento sem dinheiro (em julho)? Aí sim seria caixa dois."
De acordo com a defesa da campanha tucana no processo, a apresentação dos valores gastos pode ser feita apenas após o efetivo pagamento, sob o regime de caixa. Para o MPE, porém, "não há lógica na alegação". O procurador disse ainda que "é de se esperar um mínimo conhecimento da legislação relativa à prestação de contas eleitorais".
Hotz disse que trata-se de "uma opinião" do MPE e que vai aguardar a decisão do TRE. Hotz não escondeu a irritação com as ponderações feitas no parecer. "Pode colocar como afirmação minha, advogado Cristiano Hotz, que foi uma opinião deselegante do Ministério Público", afirmou ele, dizendo que atua em campanha eleitoral pela nona vez. "Vai dizer que a gente não conhece legislação eleitoral?", criticou.


