Foi deflagrada, ontem, a Operação Amianto para apurar a suposta compra de votos nas eleições municipais de Saudade do Iguaçu (Sudoeste), cidade com 6 mil habitantes. O prefeito Mauro César Cenci (PV), reeleito para mais quatro anos, teria utilizado um programa de governo na área de habitação para obter vantagem na campanha. O nome da operação, segundo o Ministério Público Eleitoral (MPE) no Paraná, deriva da matéria-prima utilizada na produção das telhas oferecidas aos eleitores.
Com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão na casa dos investigados, na sede da prefeitura e na Câmara de Vereadores, além de oito mandados de condução coercitiva de eleitores possivelmente beneficiados com o esquema. Há, ainda, 11 pedidos de prisão pendentes de apreciação pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), informou o MPE. São apurados os crimes de associação criminosa e corrupção eleitoral.
A operação atingiu, além do prefeito, a secretária de Assistência Social, Salete Rizzatti Trento; o diretor de Urbanismo, Jucilmar Marangon; os vereadores Sueli Civa Bochio (PSD), Setembrino Nath (PMDB), Josemar Antonio Cemin, Eguinaldo Paulo Piaia (PMN) e Neidelar Vicente Bocalon (PR); os ex-candidatos ao cargo de vereador Idiomas da Silva Perico e João Rodolfo da Costa (PV); e os servidores municipais Fabiane Gricoletto Martimianos e Idacir José Bochio. Os eleitores beneficiados que ainda estão sendo identificados também serão investigados pelo crime de corrupção eleitoral ativa.
Durante o cumprimento dos mandados, cinco pessoas foram presas em flagrante por porte ilegal de arma de fogo, sendo duas espingardas calibre 12 e 36 e um revólver calibre 32.

OUTRO LADO
O prefeito Mauro César Cenci disse que está tranquilo e atribuiu a investigação ao "calor da campanha que não acabou" e ao grupo político adversário que "não aceita a derrota". Ele explicou que o programa de governo Casa Renovada está em andamento desde o início da gestão e consiste em consertar telhados danificados dos imóveis. "Temos leis aprovadas na Câmara, orçamento específico, cadastros da população e seleção feita pelo nosso serviço social, tudo dentro da legalidade."
Segundo o MPE, os investigados usariam programas sociais instituídos no município para obter votos para o prefeito reeleito e para vereadores (eleitos e não eleitos). "Depois da eleição, alguns dos investigados, em represália aos que não votaram no grupo político, cortaram benefícios assistenciais como cestas básicas", diz o MPE. Cenci negou. "Há um bairro em que todas as casas, cerca de 90, estavam com problemas e a prefeitura está trabalhando lá, hoje inclusive, independentemente do grupo político ou do voto." Ele também defendeu os seus secretários e vereadores e afirmou que todos os esclarecimentos serão dados aos investigadores.

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