MPC cobra divulgação de salários de servidores
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
Edson Ferreira<br>Reportagem Local 
O possível descumprimento da Lei de Acesso à Informação (LAI) pelo governo estadual e empresas estatais do Paraná será apurado pelo Tribunal de Contas (TC). O pedido para a fiscalização foi feito pelo Ministério Público de Contas (MPC) em ofício encaminhado no começo do mês, após identificar nos portais a ausência da remuneração de servidores nas empresas públicas, sociedades de economia mista, fundações e serviços sociais autônomos que integram a administração indireta. Estão na lista Sanepar, Copel e Celepar.
Embora o MPC não aponte, neste momento, irregularidades nos subsídios dos dirigentes dos órgãos, a preocupação inicial está embasada na necessidade de total transparência do poder público, inclusive, quanto aos salários dos seus integrantes. "Essa preocupação tem ocupado grande espaço na opinião pública", afirma o MPC. Existem casos no governo de conselheiros das estatais que acumulam outras funções na administração e, consequentemente, acumulam salários.
De acordo com o procurador-geral do MPC, Michael Richard Reiner, em entrevista por e-mail, "somente após o levantamento dos dados é que poderemos trazer ao público a existência de situação que revele eventual incorreção na remuneração de servidores". Além da atuação das instituições que fiscalizam as contas públicas, a divulgação de todos os atos do Poder Executivo e valores pagos aos servidores favorece o "controle social", lembrou Reiner. "Questão importante também é ter transparência e acessibilidade tanto na facilidade para se obter a informação quanto na clareza do conteúdo."
O pedido de fiscalização foi distribuído às Inspetorias de Controle Externo do TC, que detém a atribuição de fiscalizar as estatais. A medida, afirma o MPC, evita "uma duplicidade desnecessária de ações". A assessoria de imprensa do TC informou que as seis inspetorias ativas ao todo são sete, mas aquela vinculada ao conselheiro Ivan Bonilha teve as atribuições divididas entre as demais depois que ele assumiu a presidência do TC devem criar um cronograma de apuração. Porém, não há ainda um prazo para a conclusão.
O governo estatual mantém um Portal da Transparência onde a verificação dos salários exige de quem faz a consulta informar o nome do servidor. Contudo, algumas empresas estatais têm regras próprias para a divulgação de informações pelo site. Para o MPC, a transparência ao cidadão deve ser a regra principal.
Levantamento publicado no portal do MPC mostra que existem problemas na divulgação dos salários, principalmente de diretores, na Sanepar, Copel, Celepar, Compagás, Agência Fomento do Paraná e Paraná Cidade. Decisão judicial anterior ao julgamento da LAI pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 2011, permite à Cohapar, Codapar, Mineropar e Tecpar não divulgarem os salários dos servidores.
O governo e as estatais ainda não foram citados sobre a fiscalização.


