Brasília - Na sessão mais agitada deste primeiro mês da CPI do Banestado, o senador Jorge Bornhausen (PFL-SC), que não integra a comissão, mandou o procurador Luiz Francisco de Souza ''calar a boca'', chamou-o de ''leviano'' e sugeriu-lhe que fizesse um exame de ''sanidade mental''. Os ataques foram disparados logo depois que o procurador, durante seu depoimento, afirmou que Bornhausen deveria ir à CPI para explicar o ''presente'' que o banco Araucária, ''um tamborete'', atribuído por Luiz Francisco à família do pefelista, teria recebido do governo de Fernando Henrique Cardoso.
Leia-se por ''presente'' a autorização, concedida pelo BC (Banco Central), em abril de 1996, para que o Araucária e outros quatro bancos - entre eles o Banestado, o foco da CPI - pudessem receber depósitos em espécie acima de R$ 10 mil em suas contas CC-5. Esse limite valia para todas as demais instituições.
Por meio de tais contas, a agência do Banestado em Nova York recebeu cerca de US$ 30 bilhões, entre 1996 e 1999. A origem do dinheiro está sendo investigada pela PF (Polícia Federal), Ministério Público e Receita. O procurador disse que irá processar por improbidade administrativa o diretor da área internacional do BC à época, Gustavo Franco.
Em junho, Luiz Francisco foi interpelado judicialmente por Bornhausen, depois de afirmar, em entrevista à imprensa, que o Araucária, ''que lavou US$ 5 bilhões'', pertence à família de Bornhausen. O senador nega. O banco é controlado pela família Dalcanale, da qual também faz parte uma cunhada do senador.
Depois de vaiar Bornhausen e Fortes, desrespeitando o regimento do Senado, que proíbe manifestações, Oséas Gonçalves de Jesus, 39 anos, e Elizângela Gonçalves, 28, ambos funcionários da Justiça do Trabalho em Brasília, foram retirados da sala. Nos corredores, insistiram nos ataques e acabaram recebendo voz de prisão dos seguranças da Casa. Identificados, foram soltos logo em seguida.
O perito da PF, Renato Barbosa, informou à CPI que, ao cruzar os dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) referentes a candidatos a eleições, desde 1994, para prefeito, vereador, deputado federal, distrital e estadual, além de senador e governador, encontrou, entre os 30 mil beneficiários do dinheiro que passou pelo Banestado de Nova York, 154 coincidências de nomes. Confrontando os mesmos beneficiários com a lista de 1,5 milhão de servidores federais, houve outros 269 registros coincidentes. Pode, no entanto, tratar-se de homônimos, pois a Receita ainda não analisou as informações.

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