MP vai ouvir depoimentos sobre caixa 2
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quarta-feira, 15 de novembro de 2000
Luiza Damé Agência Folha De Brasília 
Empresários e políticos serão convocados, a partir da próxima semana, para explicar doações feitas à campanha da reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso não declaradas na prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A informação foi dada pelo procurador da República em Brasília Guilherme Schelb a deputados dos partidos de oposição (PT, PSB, PDT e PC do B), que foram ao Ministério Público entregar uma representação contra FHC e Bresser Pereira, tesoureiro da campanha eleitoral.
Segundo Schelb, supostas irregularidades na arrecadação para a campanha da reeleição já estão sendo investigadas pelo Ministério Público no inquérito contra o ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge Caldas Pereira.
O procurador disse que a representação dos partidos de oposição reforça a possibilidade de desmembramento do inquérito. Segundo ele, as supostas irregularidades nas contas da campanha de FHC têm conexão com o caso EJ, mas não se confundem.
Em reportagem publicada na edição de domingo, o jornal Folha de S.Paulo revelou que R$ 10,12 milhões foram doados à campanha e não declarados ao TSE.
Os primeiros empresários a serem convocados devem ser: Kati Almeida Braga (Icatu), Josué Gomes (Coteminas), Roberto Duailibi (agência DPZ), Nely Jafet, Geraldo Alonso (agência Publicis Norton) e Edson Franco, presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior.
Schelb disse que, nas investigações do caso EJ, foram identificados indícios de irregularidades nas contas da campanha de FHC. O procurador afirmou que há indícios de crime eleitoral, sonegação fiscal e improbidade administrativa.
O líder do PT na Câmara, Aloizio Mercadante (SP), disse que os partidos de oposição querem uma investigação rigorosa e defendeu mudanças na legislação eleitoral para implantar o financiamento público de campanha.
Temos absoluta convicção de que o Ministério Público vai honrar a expectativa da sociedade brasileira de apuração rigorosa e punição dos envolvidos, afirmou Mercadante, no encontro com o procurador.
Ontem, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma notícia-crime (denúncia de crime) contra FHC. A notícia crime é a primeira etapa para abertura de inquérito.
Os partidos de oposição também entraram com representação no TSE pedindo o desarquivamento da prestação de contas da campanha eleitoral de FHC e a abertura de inquérito para investigar supostas irregularidades nas contas da campanha da reeleição.
Chinaglia também pediu a convocação do ministro Andrea Matarazzo (Secretaria de Comunicação de Governo) para esclarecer a informação de que ele doou R$ 3 milhões à campanha de FHC sem registro. O requerimento foi apresentado na Comissão de Fiscalização e Controle. Dificilmente Matarazzo será convocado porque a Constituição dá poderes às comissões técnicas do Congresso para convocar ministros para explicar ações relativas às suas atribuições no governo.


