MP vai investigar radares de Curitiba
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segunda-feira, 14 de março de 2011
Catarina Scortecci <br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Promotoria de Justiça de Proteção do Patrimônio Público de Curitiba vai abrir um procedimento para apurar supostas irregularidades nos serviços de radar prestados pela empresa Consilux à Prefeitura da Capital. A investigação será aberta em função de uma reportagem exibida no último domingo pelo programa de TV ''Fantástico'', da Globo. A reportagem mostra imagens de pessoas ligadas a empresas de radar de quatro Estados, incluindo o Paraná, negociando o pagamento de propina para administrações públicas. Assim, as empresas se beneficiariam nas licitações. A possibilidade de ''apagar'' multas de determinados motoristas também entrava na negociação.
No Paraná, três empresas são citadas, entre elas a Consilux, que mantém contratos com a Prefeitura de Curitiba. Na reportagem, um diretor da Consilux, Heterley Richter Júnior, afirmou que é possível apagar multas. ''Nós já fizemos isso aqui (em Curitiba)'', disse ele. Em nota divulgada ontem, a Consilux disse que a empresa ''não se responsabiliza pelas declarações de seu funcionário''. A empresa também disse que o funcionário foi afastado ontem de suas funções.
A empresa negou ainda que exista a possibilidade de se apagar multas, como mencionou o funcionário na gravação. ''Cada infração detectada pelos controladores de velocidade é automaticamente enviada do radar para o sistema da contratante, no caso de Curitiba, a Urbs. Quem opera o sistema, portanto, é a Urbs. A única ressalva é para veículos especiais, como ambulâncias e viaturas policiais. Mas, de qualquer forma, o registro fica armazenado no sistema da Urbs. O próprio denunciado, Heterley Richter Júnior, está com a carteira ameaçada de suspensão devido às multas de trânsito aplicadas pelos radares da Consilux'', diz a nota.
Por determinação do presidente do Tribunal de Contas (TC) do Estado, conselheiro Fernando Guimarães, a Diretoria de Contas Municipais do órgão também fará um levantamento de todas as administrações públicas no Estado que mantêm contratos com as três empresas citadas na reportagem da TV. A partir daí, será feita uma análise de cada licitação e contrato. O prefeito de Curitiba também determinou ontem a abertura de um procedimento administrativo que será conduzido pela própria Urbs.
A Consilux foi contratada pela Urbs em fevereiro do ano passado para locação, manutenção e operação de 140 radares, após licitação que contou com sete concorrentes. O contrato, de 24 meses, é de R$ 725 mil por mês.


