MP vai investigar prefeitura que caiu em golpe
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quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Vinícius Zanin <br>Reportagem Local 
A Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público de Paranavaí (Noroeste) afirmou que vai abrir investigação para apurar as condutas da Secretaria Municipal de Gestão Pública que depositou quase R$ 10 mil na conta de um golpista que se dizia funcionário do Banco Central do Brasil (BC). O golpe aconteceu na última quarta-feira, quando um homem entrou em contato com a Prefeitura de Paranavaí alegando que o município tinha uma dívida junto ao Banco Central e que caso o débito não fosse saldado imediatamente as contas do município seriam bloqueadas. O golpista chegou a encaminhar um e-mail à prefeitura contendo um ofício que comprovaria a origem da dívida.
Por meio de nota oficial, a Prefeitura informou que já foi concedida uma liminar pela juíza da 2 Vara Cível de Paranavaí, Daniela Flávia Miranda, determinando o bloqueio da conta na qual foi efetuado o depósito. A prefeitura alega também que, embora conte com diversos mecanismos de controle, um servidor da Prefeitura, sob grande pressão pelo tempo e pelo ''risco'', efetuou o pagamento, a fim de evitar o bloqueio das contas e posterior prejuízo aos fornecedores e entidades. Na ligação telefônica a pessoa que se dizia funcionário do BC alegava que não tinha como evitar o bloqueio por se tratar de uma ''ordem judicial''. Em seguida teria fornecido um número de telefone onde estaria o processo. A pessoa que atendia ao telefonema apresentou um nome, CNPJ, o valor da dívida e outras informações confirmando o débito.
A ordem de pagamento foi assinada pelo atual secretário Municipal de Gestão Pública, Gilmar Pinheiro. O golpe só foi descoberto porque no dia seguinte ao depósito a Prefeitura teria recebido outro comunicado semelhante, o que levou a Secretaria a suspeitar da legitimidade da cobrança. O Departamento Jurídico teria orientado a Secretaria a não efetuar o pagamento da segunda cobrança bem como a abrir um inquérito policial junto à Delegacia de Polícia. A partir daí foi ajuizado o pedido judicial solicitando o bloqueio da conta onde fora feito o depósito.
No entato, o promotor de Defesa do Patrimônio Público, Vilmar Fonseca, afirmou que apenas o bloqueio não é suficiente para garantir que o dinheiro será devolvido e promete que o MP vai investigar o caso. ''Estamos preocupados com o sistema de pagamento da Prefeitura. Como um documento elaborado de forma tão grosseira pode ter garantido o pagamento dessa quantia? Como pode a secretaria de Gestão Pública autorizar um ato tão absurdo?'', indaga o promotor.
A Secretaria Municipal de Gestão afirmou, ontem, que o município não terá prejuízos e que já está sendo pleiteado o reembolso aos cofres públicos do valor total do pagamento - R$ 9.777,30.


