MP vai investigar parceria feita por cooperativa
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quarta-feira, 07 de dezembro de 2011
Loriane Comeli <br> Reportagem Local 
A promotora de Justiça Leila Voltarelli, da Defesa do Patrimônio Público de Londrina, instaurou procedimento administrativo ontem para apurar eventuais irregularidades na parceria entre a empresa Supra Clean e a recém-criada cooperativa de catadores Cooprelon. Conforme reportagem publicada pela FOLHA na segunda-feira, a entidade foi contratada em novembro pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e receberá R$ 1,4 milhão para coletar lixo reciclável de 95 mil domicílios de Londrina por seis meses.
Parte do recurso será repassado à Supra, segundo admitiram o dono da empresa, Marcos Puertas, e o presidente da cooperativa, Maurício Montezini, já que a empresa está alugando caminhões para a cooperativa fazer o transporte do lixo até o barracão de triagem. A empresa também pretende alugar, em seu nome, um barracão na Avenida Tiradentes, ao preço de R$ 70 mil mensais. O imóvel seria cedido à cooperativa, que receberá dinheiro público para pagar a locação.
''Instaurei procedimento para apurar se, por vias transversas, a empresa está recebendo dinheiro que deveria ser da cooperativa. Já solicitei os documentos necessários para iniciar a investigação'', informou a promotora. A Cooprelon foi contratada por dispensa de licitação em razão de exceção para cooperativas formadas exclusivamente por catadores de baixa renda prevista na lei federal 8.666/93 (Lei de Licitações), alterada pela lei 11.445/07 (Plano Nacional de Saneamento).
O presidente da cooperativa admitiu em entrevista à FOLHA que não se definiria como catador e que também já prestou serviços à Supra, empresa que fabrica objetos como vassouras e rodos a partir de material reciclável. O diretor financeiro, Erlandes Silva, também não é catador ou reciclador de baixa renda. A condição dos dois vai ser analisada pela CMTU, conforme informou anteontem o presidente da companhia, André Nadai.
Inicialmente, a empresa pretendia fazer o recolhimento do lixo reciclável de Londrina, já que 99% de sua matéria-prima são esses resíduos. Porém, impedida pela lei, foi aconselhada pela promotora do Meio Ambiente, Solange Vicentin, a apoiar uma cooperativa (já havia a Coopersil e a Cocepeve), mas a Supra acabou auxiliando na fundação da Cooprelon.


