A promotora de Justiça, Cristiane Rossi, fará um levantamento nas prefeituras e câmaras municipais de Faxinal, Borrazópolis e Cruzmaltina, para averiguar o emprego de parentes dos prefeitos, vice-prefeitos e vereadores em cargos comissionados.
A medida foi motivada pela iniciativa do vereador Luiz Alberto Picinin (PT), autor do projeto de lei que previa a proibição da nomeação em cargos comissionados do cônjuge ou parente consanguíneo ou afim até o terceiro grau do prefeito, vice, secretários e vereadores. O projeto foi votado no dia 7 e rejeitado por cinco votos a quatro. A expectativa do vereador era de que a proposta fosse apreciada em segunda discussão na sessão seguinte, mas ao consultar o Regimento Interno, tomou conhecimento que o projeto somente poderá voltar a plenário no ano que vem, se obtiver a anuência da maioria dos parlamentares.
''A princípio vou requisitar as atas das reuniões do dia 7 e do dia 21 para ver se realmente não vai haver uma segunda votação. Como já tinha o projeto em andamento não quis me antecipar mas, se realmente já está decidido de forma definitiva pelo não combate ao nepotismo, vou fazer um levantamento de quais são os parentes em cargos comissionados não só em Faxinal, mas nas cidades da comarca Borrazópolis e Cruzmaltina'', disse. ''Posteriormente vou analisar sim a questão. Se constatado, devo encaminhar uma recomendação a princípio concedendo prazo para regularizar a situação'', afirmou.
O presidente da Câmara de Faxinal, Gilberto Taborda (PPS), confirmou que o projeto não passará por segundo turno este ano. ''Projeto vencido no plenário em primeira votação só vota no ano seguinte com maioria absoluta'', afirmou. Ele justificou a informação incorreta repassada à reportagem por um funcionário da Câmara. ''Esse funcionário que te atendeu está doente e não está fácil. Ele está com problemas psíquicos, tomando remédios fortes e estou em uma situação que não posso mandar ele embora. Ele está doente'', disse.
Taborda admitiu ser contra o projeto de Picinin. Ele emprega uma cunhada na Câmara. ''Tenho um funcionário só que é meu parente. A minha cunhada assina os cheques da Câmara comigo. Eu sou a favor (do combate ao nepotismo) desde que comece no Senado, na Câmara dos Deputados e venha descendo. Vamos começar lá de cima'', argumentou.
Em entrevista à Folha, o prefeito Jair Pinto Siqueira (PPS), admitiu que tem três parentes nomeados em cargos comissionados. O vice-prefeito Rubens Caplun (PPS), também emprega três parentes.
Picinin disse que irá encaminhar uma cópia do projeto ao Ministério Público (MP) e que não desistiu da proposta. ''Eu me enganei (sobre a segunda votação). Falei com um advogado e ele falou que quando não passa em primeira votação, não vai para segunda. Vamos entrar com ele de novo no dia 15 de fevereiro'', prometeu.

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