MP vai investigar licitações da UEL
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quarta-feira, 23 de maio de 2001
Lino Ramos e Lúcio Horta De Londrina 
O promotor da 1ª Vara Cível de Londrina, Bruno Sérgio Galatti, instaurou ontem um procedimento investigatório para averiguar as denúncias do apresentador de TV Márcio Mello, de Maringá, envolvendo a Universidade Estadual de Londrina (UEL). Em depoimento ao Ministério Público (MP) de Maringá, Mello afirmou que o chefe de gabinete do reitor da UEL, Itaicy Wagner Mendonça, teria recebido, entre 1997 e 98, aproximadamente R$ 8 mil do ex-deputado federal Benedito Pinga-Fogo de Oliveira. Segundo o apresentador, o dinheiro seria parte do superfaturamento de um contrato publicitário sobre o vestibular da UEL.
Ainda de acordo com Mello, essa lavagem de dinheiro do professor Itaicy e Pinga-Fogo foi repetida várias vezes. Ele teria presenciado apenas uma vez. O depoimento foi prestado ao MP de Maringá no domingo passado. O chefe de gabinete da UEL também já foi condenado pela Justiça por se apossar de verba da Sociedade Evangélica de Londrina em 1987.
Galatti disse ontem que o MP vai encaminhar carta precatória a Maringá para que Mello seja interrogado novamente sobre essa denúncia. Ele também irá enviar ofício à universidade pedindo cópia dos atos publicitários realizados entre 1997 e 1998. O promotor antecipou que, no decorrrer das investigações, Itaicy será chamado para prestar depoimento.
Ontem, o reitor da UEL, Jackson Proença Testa, convocou uma coletiva para anunciar a abertura de uma sindicância interna para apurar a denúncia. O reitor, no entanto, disse que não vai afastar Itaicy do cargo. Até porque o próprio Itaicy solicitou a sindicância. E não podemos execrar uma pessoa publicamente quando ela tem o direito de defesa, justificou.
Testa defendeu que o fato de Itaicy continuar no cargo não interfere no resultado da sindicância. Não atrapalha porque essa comissão tem autonomia, está acima do Itaicy, destacou. A comissão, que terá 15 dias para concluir o trabalho, é composta pelos servidores Anísio Ribas Bueno Neto (presidente), Antonio Benedito Guirro (secretário), Aristeu Carvalho e Mauro Ticianelli.
Segundo o reitor, a sindicância deverá levantar dados sobre o pagamento de verbas publicitárias para a Rádio Nova Ingá, de propriedade do ex-deputado Pinga-Fogo. Além disso, a universidade irá solicitar uma auditagem do Tribunal de Contas do Estado (TC) em contratos publicitários e encaminhar o resultado dos dois trabalhos para o Ministério Público de Londrina e Maringá.
O reitor observou que seu chefe de gabinete não tem autonomia para pagar ou receber verbas publicitárias que seria atribuição da Coordenadoria de Assuntos Financeiros (CAD). Testa acrescentou que, em 97 e 98, as decisões sobre investimentos em mídia peças publicitárias e veículos de comunicação eram determinados pela agência Mercer, de Curitiba, que tinha a conta do Governo do Estado. (Leia mais sobre outros assuntos da entrevista do reitor da UEL em Folha Cidades).


