MP vai investigar denúncia de propina
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terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba - O Ministério Público (MP) do Paraná abriu ontem uma investigação para apurar as denúncias de que os secretários estaduais Pepe Richa (Infraestrutura e Logística) e Amauri Escudero (Escritório de Representação do governo em Brasília) pressionaram a montadora Renault a assinar um contrato milionário com a filial paranaense da transportadora AG Log, de Ana Cristina Aquino. Segundo o órgão, a apuração ficará a cargo da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Curitiba.
Em reportagem publicada no último final de semana pela revista IstoÉ, a empresária mineira afirmou que registrou em cartório depoimento descrevendo que políticos da alta cúpula do governo estadual se tornaram seus parceiros na negociata. O contrato não saiu, diz, no entanto, as dívidas da empresa se multiplicaram.
De acordo com ela, o acordo foi intermediado pelo advogado João Alberto Graça, superintendente regional do Trabalho no Paraná entre 2007 e 2009. Como ainda está recolhendo documentos para o processo, o MP informou que aguarda o desenrolar dos fatos para se posicionar oficialmente.
Ana Cristina Aquino disse à revista que Graça marcou uma reunião entre ela e Amauri Escudero, em 2012, para arquitetar a viabilização do acordo com a Renault. Conforme a reportagem, em troca do apoio, o advogado ficaria com 10% do valor dos contratos com a montadora e outros 10% seriam entregues a Escudero, ex-diretor-geral da Secretaria da Fazenda, quando o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB) comandava a pasta. A empresária também contou que pagou propina de R$ 500 mil a José Richa, o Pepe Richa, que é irmão do governador Beto Richa (PSDB). O dinheiro teria sido entregue pela lobista Suzana Leite na semana anterior à inauguração da sede da AGX Log no Estado, em 11 de abril de 2013.
Procurados pela reportagem, os dois secretários negaram as acusações e comunicaram que irão processar a denunciante "assim que descobrirem qual dos três CPFs e dois RGs que ela utiliza são válidos". Eles reforçaram, ainda, que apoiam a investigação aberta pelo MP. Ana Aquino é investigada pela Polícia Federal sob acusação de falsidade ideológica e lavagem de dinheiro em suposto esquema envolvendo servidores do Ministério do Trabalho. O caso culminou com a renúncia do então ministro da pasta, Carlos Lupi, em 2011.
"Todas as alusões ao meu nome na matéria da revista IstoÉ não têm fundamento. São inverdades absurdas. A própria ideia de que eu poderia ter ingerência nos negócios da Renault é de uma impropriedade que expõe ao ridículo quem a formula", disse Pepe Richa. "Peço investigação policial para apurar as responsabilidades sobre a denúncia e sobre os interesses que possam orientá-la. Também sobre a possibilidade de uso indevido de meu nome em negociações escusas. Temo que interesses políticos eleitoreiros estejam envolvidos", completou.
Amauri Escudero acrescentou que as denúncias "não resistem ao mínimo procedimento do bom jornalismo". "Nunca fui Secretário de Estado da Fazenda do Paraná. Não recebi em Curitiba, para reunião fechada, nem Ana Aquino e nem ao advogado João Graça. São falsas e mentirosas todas as informações publicadas pela revista, transformando-se em calúnia propalada contra minha pessoa".
Já a Renault informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que "não mantém nem nunca manteve relações com a empresa AGX Log". A FOLHA também tentou contato com João Graça, que não atendeu às ligações até o fechamento desta edição. A reportagem não conseguiu contato de Ana Aquino, nem de Suzana Leite.


