O Ministério Público (MP) estadual vai auxiliar nas investigações sobre a situação financeira e patrimonial da Prefeitura de Palmital (Centro-Sul). Uma empresa terceirizada deve ser contratada pela atual administração para realizar uma auditoria nas contas e na frota do município. O atual prefeito, Darci Zolandek (PMDB), reclama que recebeu o Executivo do ex-prefeito Clério Bach (PR) com salários de dezembro dos 400 servidores municipais atrasados e sem dinheiro em caixa, em uma situação geral ''lamentável''. Uma reunião foi realizada ontem pela manhã entre o promotor de Justiça Leandro Ataídes e representantes da atual administração para acertar um plano de trabalho de investigação. ''O que já constatamos é que há indícios de ilegalidade que em tese teriam sido praticados na administração passada'', afirmou Ataídes.
O promotor explicou que ontem pela manhã o plano de atuação foi dividido em duas etapas. ''Na primeira etapa o MP vai colaborar com a atual administração para auditar todos os setores mais críticos da administração. Concluídos esses trabalhos vamos dar início à segunda etapa, onde o MP vai entrar com todas as atuações necessárias para recuperação do patrimônio público, e apontar os possíveis responsáveis pelos problemas'', explicou.
O rombo no fundo previdenciário dos servidores municipais, que pode chegar a R$ 1 milhão, também será investigado, já que o dinheiro estava sendo descontado da folha de pagamento mas não estava sendo repassado ao fundo.
Em relação à falta de pagamento dos vencimentos de dezembro, o promotor alegou que somente os servidores municipais não receberam os salários. ''Os comissionados do ex-prefeito receberam. Então percebemos que houve discriminação entre os funcionários.'' Em entrevista à FOLHA na última terça-feira, Clério negou irregularidades ou má-fé na falta de pagamento dos servidores, e afirmou que somente não fez o depósito porque ''não tinha todo o dinheiro em caixa'' para pagar a folha inteira - cerca de R$ 600 mil.
O ex-prefeito afirmou na ocasião que a prefeitura teve um ano difícil pela queda na arrecadação e no repasse de recursos ao município. ''Imaginávamos que o governo ia nos dar uma compensação pela redução do IPI, mas acabou não dando e tivemos algumas dificuldades para pagar todos os compromissos. Mas foi a única situação que deixamos'', finalizou.
O promotor explicou ainda que a atual administração mostrou documentos e contas que comprovam a falta de pagamento de água e luz há mais de seis meses - acumulando contas de R$ 49 mil e R$ 60 mil - e uma conta de telefone de mais de R$ 10 mil. Atualmente o telefone da prefeitura está cortado.
Além das contas, há indícios de que várias infrações de trânsito foram cometidas com carros oficiais após encerrada a eleição de outubro - quando o vice-prefeito de Bach, Zezé da Ambulância (PPS), foi derrotado nas urnas.
A formatação de dados em computadores do Executivo, principalmente relativos a Recursos Humanos, também foi confirmada pelo MP. O promotor explicou que a administração já contratou uma empresa para reconstituir os dados dos computadores.

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