O Ministério Público Estadual (MPE) vai enviar a agenda do prefeito Celso Pitta (PTN) ao Instituto de Criminalística, na próxima semana, para realização de exame grafotécnico. O documento foi entregue ontem ao MPE por membros da Comissão Processante (CP) que analisa as denúncias contra o prefeito na Câmara. O exame irá comprovar se o documento foi adulterado antes de ser entregue pela ex-primeira-dama, Nicéa Pitta, à CP.
Segundo o procurador Alberto de Oliveira Andrade Neto, do Setor de Apuração de Crimes de Prefeitos, o IC deve analisar apenas páginas como as que originaram polêmicas sobre supostas propinas pagas a vereadores. Ele disse que serão colhidas amostras das caligrafias de Pitta, de Nicéa e de secretárias do Palácio das Indústrias que possam ter manuseado a agenda.
Segundo o procurador, cópias das páginas e o resultado do laudo também serão anexados ao inquérito aberto pelo MPE que investiga supostas irregularidades administrativas contra o prefeito. Na reunião com Andrade, hoje, os vereadores solicitaram cópias de todo o material investigado pelo MPE que possa ajudar nas investigações da CP.
Celso Pitta disse ontem que pretende processar a ex-primeira-dama Nicéa Pitta, caso seja confirmada a autoria dela em possível fraude realizada numa das agendas pessoais dele. Segundo ele, a falsificação ‘‘grosseira’’ feita numa das páginas da agenda de 1997 – com supostos valores de propina pagos aos vereadores – resultou em pedido de abertura de inquérito criminal ontem para apurar os responsáveis.
Nicéa Pitta pode ser enquadrada em três crimes, caso fique comprovada a falsificação da agenda do prefeito. De acordo com três juízes e um promotor, se Nicéa só tiver inserido algumas informações poderá responder por falsidade ideológica. Se a fraude for constatada em toda a agenda, ela sofrerá acusação por falsificação de documento. O último crime seria o de denunciação caluniosa, por ter imputado ao ex-marido um crime que ele não cometeu.

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