O Ministério Público (MP) de Londrina decidiu ouvir a empresária Olga Youssef Soloviov, que também atende por ‘‘Flora’’ e é dona de uma casa de câmbio em São Paulo. Os promotores querem saber a participação dela na compra de US$ 200 mil do médico Anis Rassi, de Goiânia (GO). O pagamento dos dólares, no valor de R$ 340 mil, foi feito com dinheiro desviado da Prefeitura de Londrina.
Flora deveria ter comparecido ontem de manhã ao prédio da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) mas seu advogado, de São Paulo, informou que ela estava doente. O promotor Cláudio Esteves confirmou ontem que o assunto a ser tratado com Flora é a compra dos US$ 200 mil de Rassi. ‘‘Mas essa é uma investigação altamente sigilosa e não podemos dar mais detalhes’’, afirmou.
Segundo revelou a Folha, em maio de 99, Rassi vendeu os dólares para o doleiro goiano Walderez Almeida Lacerda – que repassou o negócio para Flora. O nome dela e o número do telefone da empresa constam de uma declaração que Lacerda registrou em cartório em março.
No documento, do qual a Folha tem cópia, Lacerda confirma o negócio. Mas em entrevista, pelo mesmo telefone apontado pelo doleiro, Flora negou que conhecesse Rassi e Lacerda e disse que não comprou os dólares. Flora – ou Olga – disse também se chamar ‘‘Flórida’’ e ser conhecida por ‘‘Flor’’.
Apesar de passar a semana em São Paulo, a empresária tem apartamento e parente em Londrina que também atua no ramo de câmbio. O MP chegou aos nomes de Rassi e Flora rastreando a conta da empresa Gomes & Amâncio, de Londrina, que venceu licitação na extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb, atual CMTU). Os R$ 340 mil saíram da conta da empresa londrinense, passaram por outra, ‘‘laranja’’, e depois foram transferidos para a conta do médico.
Do valor total, R$ 230 mil foram bloqueados pela Justiça, no início deste ano. O médico alegou que não sabia da origem do dinheiro e ingressou com mandado de segurança no TJ-PR pedindo o desbloqueio.

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