O presidente da Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina, José Roberto Hoffmann, que tem salário de R$ 15,5 mil mensais, ocupa também o cargo de presidente do Conselho de Administração da companhia, que é uma sociedade de economia mista. Para cada reunião – em média, uma por mês – ganha 10% de seu salário. Além do presidente, outras seis pessoas compõem o conselho. O caso foi levado à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público pelo ex-candidato a vereador Emerson Petriv (PSC), o "Boca Aberta". "Vou analisar esta situação específica", afirmou o promotor Renato de Lima Castro.
Para Hoffmann, não há ilegalidade porque o próprio estatuto da Cohab trata do caso. "Não são dois cargos. É função obrigatória do presidente assumir uma vaga no Conselho de Administração", disse, lembrando que o estatuto também define a remuneração dos integrantes. Hoffmann informou que a presidência do conselho é votada em assembleia, renovada anualmente, porém, não acarreta nenhuma vantagem salarial.
Ao todo, a Cohab tem 12 conselheiros, sendo sete membros no Conselho de Administração e cinco no Fiscal. "No caso do Fiscal é obrigatória uma reunião mensal, mas no de Administração depende da existência de assuntos." Hoffmann afirmou que deve procurar o Ministério Público (MP) espontaneamente amanhã.
Recentemente, o vice-prefeito Guto Bellusci (PSD), o secretário de Governo, Paulo Arcoverde, e dois assessores deixaram seus cargos nos conselhos de Administração e Fiscal da Sercomtel e vão devolver à telefônica os valores recebidos enquanto acumularam as funções remuneradas. Eles atenderam recomendação do MP. Baseado em dispositivo da Constituição, o entendimento do MP é de que o acúmulo é indevido. Foi neste sentido que decidiu há pouco mais de dois meses o Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná ao julgar ação de improbidade contra o ex-prefeito Barbosa Neto (PDT) e a servidora Cristiane Hasegawa, que acumulava cargo no Conselho de Administração da Sercomtel.

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