MP vai abrir novo inquérito contra Maluf
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quarta-feira, 13 de outubro de 2004
Agência Estado 
São Paulo - O ex-prefeito Paulo Maluf (PP) será alvo de nova investigação do Ministério Público Estadual (MPE) de São Paulo. Segundo o promotor Sílvio Marques, a Promotoria da Cidadania abrirá nos próximos dias inquérito civil para apurar supostas irregularidades no setor de transportes que teriam ocorrido na gestão de Maluf na Prefeitura.
O inquérito se baseará na gravação de conversa entre o ex-vereador João Brasil Vita (PP) e o ex-deputado Armando Mellão, na qual Vita apontava desvio de dinheiro em compras de ônibus envolvendo Maluf e o então secretário de Governo, Edvaldo Alves da Silva. Ontem, o ex-prefeito e Vita depuseram no Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, sobre as gravações feitas por Mellão.
Ele disse que era procurado por Vita e foi orientado a gravar as conversas. Nelas, supostamente, o ex-vereador lhe oferecia dinheiro para desmentir acusações a Maluf e dizer que estava a serviço dos tucanos. Em junho, Mellão acusou o ex-prefeito de desviar verbas da obra do Túnel Ayrton Senna e da Avenida Água Espraiada, atual Jornalista Roberto Marinho.
No depoimento, Maluf declarou não ter conhecimento das conversas e afirmou que as gravações fazem parte de uma armação tucana. ''Preocupa uma denúncia de presidiário?'', indagava, referindo-se a Mellão, que foi preso em março, acusado de tráfico de influência. ''Eu não conversei isso nem com o Brasil Vita e muito menos com Mellão. Como é que eu iria conversar com o sujeito ex-presidiário, delinquente, chantagista, preso pela Polícia Federal praticando extorsão? Não conversei com ninguém.'' O advogado dele, Ricardo Tosto, disse que processará Mellão. Vita saiu sem dar declarações. Segundo o promotor José Reinaldo Carneiro, do Gaeco, ele confirmou que Maluf não tinha conhecimento das conversas. ''Brasil Vita assume como dele os diálogos e não nega a autenticidade. Mas diz que estava vendo até onde ia o Mellão.''
Segundo Carneiro, o inquérito pode levar a uma ação penal por corrupção de testemunha. ''Continua a investigação, e os próximos passos vamos deliberar depois. As provas ainda estão sendo colhidas e não vamos fazer nenhum juízo de valores sobre os depoimentos'', disse. A investigação ainda deve apurar a existência de transações com diamantes no exterior.
Anteontem, Maluf foi indiciado pela PF por lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, formação de quadrilha, evasão de divisas e peculato (apropriação de dinheiro público). Sobre o inquérito, respondeu: ''Eu dou graças a Deus pelo indiciamento porque, finalmente, eu vou ter oportunidade de ver o processo e fazer uma defesa.'' A filha de Maluf, Lígia, e o genro, Maurílio Cury, devem ser os próximos chamados a depor na investigação da PF.
Maluf deverá anunciar hoje, em nota por escrito, o apoio à reeleição da prefeita Marta Suplicy (PT). Motivo: está convencido de que foi vítima de uma ''armação tucana'' para desqualificar seu apoio a Marta. ''Os tucanos estão se tornando os dedos duros da Nação'', disse.


