MP tenta hoje reverter decisão pró-PFL
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2001
Rodrigo Sais<Br>De Curitiba 
O Ministério Público (MP) Estadual tenta reverter hoje a sentença que permite aos advogados do PFL o acesso aos depoimentos prestados sobre a existência de um caixa 2 na campanha do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL). O MP solicitará ao juiz da 1 Zona Eleitoral, Espedito Reis do Amaral, que reconsidere a decisão de quebrar o sigilo parcial dos depoimentos que havia sido decretado pelos próprios promotores que atuam no caso.
O MP irá basear sua argumentação no fato de que a quebra do sigilo pode desencorajar futuras testemunhas a prestar depoimento. ''Várias testemunhas condicionaram seus depoimentos ao compromisso do MP em não divulgar a terceiros seus nomes e o teor de seus depoimentos'', explica o promotor eleitoral Valclir Natalino da Silva.
Os promotores passaram a tarde de ontem elaborando o pedido de reconsideração de sentença simultaneamente a um pedido de agravo que será solicitado ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Neste recurso, os membros do MP questionam a competência do juiz Espedito do Amaral em se pronunciar sobre uma investigação realizada pelo MP.
O recurso está sendo elaborado para o caso de Amaral decidir manter sua sentença original. No mês passado, o juiz não atendeu a um pedido de reconsideração de sentença solicitado pelo PT, que questionava o fato de Amaral não ter levado em conta as denúncias da existência de um caixa 2 no momento em que aprovou as contas de Cassio.
Para o advogado do PFL, Antônio Figueiredo Basto, a competência do juiz eleitoral para decretar a quebra de sigilo para os advogados da parte interessada é indiscutível. ''Foi a Justiça Eleitoral que diplomou o prefeito, e as acusações que vieram a público tratam de crime eleitoral'' afirmou Basto.
O advogado, no entanto, não questiona a capacidade dos promotores do MP em apurar as denúncias. A investigação está sendo conduzida por promotores da divisão de Proteção ao Patrimônio Público. ''O MP é uno e indivisível, e tem autonomia para realizar a investigação com os promotores que julgar apropriados'', explicou.
Ontem, os promotores apresentaram à imprensa os dois livros-caixa originais redigidos pelo tesoureiro de Cassio, Francisco Paladino Júnior. Segundo Natalino da Silva, o livro confere com as fotocópias que haviam sido entregues no início de novembro ao MP. ''Não analisamos ainda linha por linha, mas em uma análise preliminar parecem ser os mesmos documentos que foram entregues a nós e à imprensa'', afirmou.
A única diferença visível são algumas entradas que foram apagadas com corretivo e que não são visíveis nas fotocópias. No pequeno intervalo de tempo em que a imprensa teve acesso aos originais da movimentação contábil, porém, os erros pareceram ser apenas de transcrição, sendo que os nomes e valores apagados eram reescritos logo em sequência.
Os promotores não apresentaram à imprensa os cheques em branco assinados pelo coordenador do comitê financeiro, Mário Lopes Filho. ''Apesar de os cheques estarem em branco, eles contêm numerações cuja divulgação poderiam atrapalhar as investigações'', comentou Natalino da Silva.


