Além da fiscalização da Justiça Eleitoral, a campanha de rua de candidatos e coligações passará também pelo crivo da legislação ambiental por meio de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). O objetivo é tentar coibir o tradicional despejo de material impresso em vias públicas, que, pelo TAC, poderá gerar multa administrativa - que varia de R$ 50 a R$ 5 milhões -, responzabilização criminal e indenização pelos danos causados ao meio ambiente.
De acordo com a promotora de Meio Ambiente, Solange Vicentin, que atua também na coordenação da eleição municipal, a expectativa é que o TAC seja assinado tão logo sejam homologadas as candidaturas registradas no último sábado, e, de forma isolada, ontem. ''Primeiro vamos ver quantos candidatos serão, para depois firmar com eles esse compromisso. Afinal, o panfleto jogado na rua cai no bueiro e chega aos rios, o que afeta, por exemplo, a quantidade de oxigênio dos peixes'', explicou a promotora. O MP solicitará a orgãos como o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) a fiscalização do termo de ajuste.
A FOLHA conversou com eleitores de Londrina para saber o que eles acham do material impresso jogado nas ruas. Entre as pessoas consultadas - ao menos nas entrevistas -, o histórico do candidato, a despeito da propaganda, é fator que parece prevalecer no momento de definir o voto.
''Já estou vacinado contra os políticos - se fossem tudo isso que dizem, a CNBB não precisaria coletar assinaturas para abaixo-assinado (em prol de um projeto de lei de iniciativa popular que tenta barrar a candidatura de investigados pela Justiça): eles mesmos fariam isso'', acredita o aposentado José Fontolan, 58, que completa: ''Se a pessoa é honesta, nem de propaganda precisa - é como um bom remédio''.
Para a professora Alessandra dos Santos, 23, mesária no pleito, dois fatores são determinantes para a escolha do candidato: ''Se o sujeito extrapola na sujeira de campanha, ou se é investigado, aprontou um monte, não leva meu voto mesmo'', garante. Já o processador Ricardo Gonçalves, 22, jura que santinhos, faixas ou mesmo a propaganda em internet ou TV não fazem a cabeça dele. ''Porque sempre voto pelo partido'', justifica. Por outro lado, a processadora de frios Viviane Santos admite: ''Com santinho é mais fácil quando se está em dúvida'', diz. ''Só não pode ser de gente já investigada'', emenda. (J.G.)

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