Leandro Donatti
De Curitiba
O Ministério Público do Paraná rebateu ontem, através de nota oficial, as acusações feitas pelo ex-secretário da Segurança Cândido Martins de Oliveira. No texto, de duas laudas, a promotoria condena as declarações feitas após a posse do novo secretário da Segurança, José Tavares, na última quarta-feira, de ataque não apenas ao Ministério Público, mas ao Poder Judiciário. A nota afirma que ‘‘frouxo’’ – nas investigações do narcotráfico – não foi o Ministério Público, mas o ex-secretário que não agiu com rigor para apurar e responsabilizar os ‘‘autores de tão sérios agravos à imagem e credibilidade da Polícia Civil, permitindo a exposição nacional da valorosa corporação’’.
‘‘A frouxidão, pensada por quem se despedia de importante cargo da Administração Pública, mais que pouco caso, revela inadmissível provocação, clara ignorância de fatos cujo conhecimento era comezinho exigir-se de alguém no desempenho de tão relevantes atribuições na esfera da segurança, inqualificável insulto à honra de todo o Ministério Público, que aqui se repudia serena e veementemente’’, consta na nota. Os ataques públicos disparados por Cândido Martins, na solenidade anteontem, pegou promotores e procuradores de Justiça de surpresa.
Eles não escondiam a sua indignação ontem. Cândido Martins disse textualmente que ‘‘pessoas com interesses políticos contaram com o apoio de um Ministério Público frouxo e de um Judiciário sem coragem, para a decretação de prisões preventivas antes mesmo da conclusão do relatório final da CPI’’.
‘‘Até agora o Ministério Público não apresentou denúncia contra nenhum dos acusados, ele só ajudou no julgamento antecipado das pessoas’’, também disparou o ex-secretário. A reação do Ministério Público veio 24 horas depois. O Judiciário rebateu as declarações no mesmo dia. Porém, o Ministério Público alongou-se no contra-ataque.
‘‘Saiba o senhor Cândido Martins de Oliveira que os resultados que advirão dos levantamentos ora procedidos pelo Ministério Público, acerca de denúncias que chocaram a opinião pública e tantos quantos se encontravam na Assembléia Legislativa deste Estado por ocasião dos trabalhos realizados pela CPI (do Narcotráfico), ratificarão, uma vez mais, o desassombro e a coragem de todos os membros da instituição’’, segue outro trecho da nota oficial. O Ministério Público dá conta ainda que a instituição ‘‘tem dado testemunho diário de vigorosa luta em defesa do cidadão e da sociedade em todos os quadrantes onde tenha sido necessário’’.
‘‘Não houve tragédia, drama, escândalo ou inquietação social em que a instituição não estivesse presente cumprindo o seu dever.’’ Segue ainda: ‘‘em cada investigação, em cada ação penal, na permanente fiscalização da probidade e moralidade na Administração Pública, em cada um desses atos, e em todos os demais, esteve sempre o destemor de um promotor ou de um procurador de Justiça, muitas vezes, arrostando, anonimamente, ameaças pessoais, estratégias de intimidação e toda sorte de constrangimento que, não raro, atingem seus familiares’’.

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