MP também investiga Banestado Leasing
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quarta-feira, 18 de junho de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
A Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público, órgão vinculado ao Ministério Público do Paraná, está fazendo uma investigação paralela à auditoria interna do Banestado que apura denúncias de irregularidades administrativas na Banestado Leasing, durante a gestão do ex-diretor e secretário do Esporte e Turismo, Osvaldo Magalhães dos Santos. O promotor Rodrigo Chemim Guimarães, o responsável pelo caso, recebeu na última terça-feira cópias de documentos fornecidas pela direção do Citibank National Association, com sede em Curitiba e que podem comprovar o envolvimento de funcionários da Leasing em operações financeiras de risco.
Assim como alguns auditores do Banestado - que ainda não concluiram a investigação interna -, o Ministério Público acredita que foram concedidos empréstimos sem qualquer lastro de garantia, o que pode ter provocado prejuízos à instituição. Algumas empresas teriam pago indevidamente importâncias para a liberação de créditos, afirma. O promotor confirma que as investigações também envolvem o consultor financeiro Euzir Bággio, que funcionaria como um intermediador no processo. Chemim não quer ainda confirmar o que a auditoria já concluiu.
Bággio teria repassado comissões para funcionários que agilizaram de um forma ou de outra a liberação de alguns contratos de leasing. Somente numa operação de risco, envolvendo três empresas do setor de transporte, o calote teria chegado a R$ 19 milhões.
O MP já teria apurado extraoficialmente que só numa operação, que liberou R$ 1,5 milhão para uma empresa do setor gráfico, o consultor teria embolsado R$ 75 mil, dos quais R$ 35 mil repassados poucos dias depois para um dos funcionários do esquema. A Folha tentou falar por telefone celular com ele ontem, mas não conseguiu contato. Numa conversa rápida tida na semana passada, Euzir Bággio negou ter qualquer ligação profissional com a Banestado Leasing.
Estão sob suspeita os funcionários Fernando Ferreira de Moraes, Luiz Antonio Eugênio de Lima, José Edson Carneiro de Souza e Nacin Jorge André Neto. O acesso às contas dos funcionários no Citibank só foi possível com a decisão do juiz da Central de Inquéritos, Fernando Ferreira de Moraes, há cerca de um mês, que autorizou a quebra do sigilo bancário dos envolvidos a pedido da Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público.
Chemim diz que depois de analisados os documentos, deverá requerer o depoimento dos envolvidos.


