A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público em Londrina ouviu ontem um empresário de Curitiba que prestou serviços para a empresa paulista SP Alimentação no Paraná. O nome dele não foi revelado. Com o depoimento, o Ministério Público (MP) retoma a fase de oitivas na investigação sobre suposto pagamento de propina e formação de cartel da merenda em Londrina. ''A investigação nunca esteve paralisada, mas vamos buscar mais informações através de novos depoimentos'', disse a promotora Leila Voltarelli, sem revelar o teor das declarações. ''Por se tratar de uma investigação complexa, tivemos um período de auditorias e outras diligências'', complementou. O MP em Londrina vai juntar ao procedimento o resultado de aproxidamente 30 oitivas que estão sendo feitas por promotores de comarcas de outros estados, cujos relatórios devem chegar nesta semana. ''Também ouviremos mais pessoas da cidade'', resumiu Voltarelli, admitindo que agentes públicos podem ser convocados para depor.
Conforme a FOLHA noticiou em setembro, a investigação começou em São Paulo no início do ano, quando promotores apuraram indícios de que seis empresas do ramo de alimentação formavam um cartel para disputar e fraudar licitações no país. Naquele mês, o MP encaminhou recomendação ao prefeito Barbosa Neto (PDT) para que suspendesse o contrato com a J.Coan, garantindo, no entanto, a continuidade dos serviços. O secretário de Governo Marco Antonio Cito confirmou que o contrato com a empresa não será renovado para o ano que vem, ''apesar da prefeitura não ter problemas com eles (J. Coan)''.
De acordo com o secretário, os documentos apresentados para assinatura do contrato não demonstram ligação com a SP Alimentação, que anteriomente prestava o serviço para o município. Cito informou ainda que um novo edital de licitação será aberto neste mês. ''Pode haver um pequeno aumento no valor do edital (que hoje é de R$ 8 milhões por ano) porque pretendemos ampliar o atendimento no ensino integral.'' Nenhum representante da SP Alimentação deu retorno ao pedido de entrevista. Na empresa Geraldo J. Coan, que tem sede em Tietê (SP), ninguém atendeu as ligações.

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