MP retoma depoimentos de caixa 2
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terça-feira, 08 de janeiro de 2002
Rodrigo Sais 
Curitiba - O Ministério Público (MP) estadual tomou ontem o depoimento de mais uma pessoa ligada à investigação sobre um suposto caixa 2 na campanha à reeleição do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL). Um dos responsáveis pelo pagamento de pessoal contratado para a campanha, Egon José Treml, confirmou ser sua a assinatura em um recibo original no valor de R$ 38 mil, que faz parte de um lote de 28 documentos entregues ao MP no dia 3 de dezembro. O órgão está ouvindo as pessoas que assinaram os documentos para apurar a origem e a finalidade dos valores dos recibos.
O nome de Treml aparece também em mais dois recibos datados de 29 de setembro de 2000, que totalizam R$ 73.250,00. Além disso, seu nome aparece em duas entradas no livro-caixa entregue aos promotores do MP pelo tesoureiro da campanha de Cassio, Francisco Paladino Júnior. A primeira é datada de 31 de agosto de 2000, com a inscrição Pagamento Egon - Vereadores, ao lado de uma saída de R$ 70 mil. A segunda é uma prestação de contas de 13 de dezembro, no valor de R$ 131.250,00.
O depoimento de Egon Treml foi tomado no Centro de Apoio às Promotorias de Proteção ao Patrimônio Público, que investiga o caso há dois meses. Ontem, os promotores entraram com um recurso no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), solicitando que o órgão reveja sua decisão de 18 de dezembro. Na ocasião, o plenário do TRE rejeitou um pedido dos promotores para que fosse reestabelecido o sigilo sobre os depoimentos das 30 testemunhas que já compareceram ao MP.
A quebra do sigilo foi solicitada pelos advogados do PFL ao juiz da 1ª Zona Eleitoral, Espedito Reis do Amaral. Os promotores também solicitaram ao juiz que reconsiderasse a sentença, alegando que a quebra de sigilo prejudicaria o andamento das investigações. Como Espedito do Amaral está de férias, o juiz Luiz Fernando Tomasi Keppen deve analisar o mérito da questão a partir de hoje.
Também a partir de hoje a Polícia Federal (PF) inicia diligências para apurar se houve crime eleitoral. O delegado Hugo Corrêa Martins assume o inquérito, aberto no dia 28 de dezembro. A PF tem um prazo de 30 dias para concluir a investigação.


