Em ato público ontem no centro de Londrina, o Ministério Público (MP) do Paraná anunciou que já foram coletadas na cidade mais de 30 mil assinaturas contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) número 37. A mudança prevê a exclusividade das polícias Civil e Federal nas investigações criminais e por isso é vista por promotores e procuradores como uma tentativa política de reduzir o poder do MP.
Reunindo cerca de 200 pessoas, o evento se concentrou na Concha Acústica, depois de uma caminhada pelo calçadão. Além de membros do MP, políticos, sindicalistas e alguns secretários municipais, o ato contou com o apoio também do prefeito Alexandre Kireeff (PSD). Convidado a discursar, Kireeff afirmou que a PEC é um retrocesso. ‘‘Em recente encontro com muitos políticos em Londrina vi que muitos são favoráveis à PEC, então temos realmente que nos mobilizar. Como agente político sou radicalmente contra a PEC.’’
Em cerimonial conduzido pela vereadora Elza Correia (PMDB), vereadores, deputados e promotores eram chamados para discursar. Segundo o presidente da Câmara Municipal de Londrina, Rony Alves (PTB), ‘‘quem é a favor da PEC 37 é contra o Brasil’’. O coordenador do MP em Londrina, Miguel Sogaiar, afirmou que a investigação precisa ser feita em conjunto. ‘‘Não queremos competir com a polícia. Se a polícia não trouxer a prova, pouco o MP poderá fazer.’’
Segundo o promotor Jorge Fernando Barreto da Costa, a PEC pode significar menor atuação também em outras áreas. ‘‘A Constituição deixa em aberto para que outras instituições possam investigar, como a Receita Federal e até as CPI’s, mas, se a PEC passar, pode haver mudanças aí também.’’
Mesmo sem saber exatamente sobre os trâmites legais da mudança prevista na PEC, a pensionista Silvana de Jesus afirmou que também apoia a iniciativa do MP. ‘‘Quando se fala PEC, não sei bem como é, mas sei que quem não quer mais investigação é porque tem o rabo preso.’’ Para o vendedor Ricardo Luiz Luca Martins, se o MP deixar de conduzir investigações criminais, ‘‘a polícia não vai dar conta’’. ‘‘Pelo que a gente vê, já tem muita coisa, muito crime acumulado e só a polícia não vai conseguir investigar tudo.’’

mockup