MP refuta crítica da Câmara de Londrina
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quinta-feira, 09 de novembro de 2000
Lúcio Horta De Londrina 
O Ministério Público de Londrina vai requisitar hoje à Câmara dos Vereadores cópia da fita com as declarações do presidente do Legislativo, Flávio Vedoato (PL), criticando a atuação de promotores. Vedoato disse na tribuna, na sessão de anteontem, que a investigação dos desvios da administração municipal estava parada na promotoria e que a Câmara fez o trabalho sujo cassando o mandato do ex-prefeito Antonio Belinati (PFL). O presidente da Câmara disse também que os promotores não têm moral para criticar vereadores.
A promotora Édina Maria Silva de Paula, coordenadora dos promotores em Londrina, disse ontem que pretende avaliar com os colegas as declarações de Vedoato e, dependendo do teor das críticas, pode levar o caso ao procurador Geral de Justiça, Marco Antonio Teixeira. O procurador estará em Londrina no próximo sábado para um encontro sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Além do MP, o promotor Bruno Galatti, um dos responsáveis pela investigação do caso AMA-Comurb, se antecipou e enviou ontem, individualmente, um ofício à Câmara pedindo a cópia da fita. Ele destacou que todo o procedimento do MP em Londrina tem se pautado pela total isenção e falta de manifestação antes da propositura de ações. O MP apenas responde ataques. Outras divulgações são feitas pelo trabalho da imprensa, observou.
As declarações de Vedoato foram motivadas por uma nota publicada no Informe Folha, terça-feira, lembrando que seis vereadores estariam sendo investigados pelo MP: Renato Araújo (PPB), Antenor Ribeiro (PPB), Célio Guergoletto (PMDB), Sidney de Souza (PTB) e Adalberto Pereira (PFL), além de Orlando Bonilha (PDT). O presidente da Câmara informou que iria pedir providências da procuradoria jurídica do Legislativo para saber sobre o andamento das investigaçõe do MP. Chega de falar. Se há alguma coisa, que abram uma ação contra os vereadores disse.
Todas as ações envolvendo os vereadores já foram divulgadas pela imprensa. Guergoletto é investigado por causa de um depósito em sua conta de R$ 50 mil cuja origem são licitações frias da extinta Comurb; Souza teria distribuído cadernos com sua foto na capa, também pagos com dinheiro da Comurb; Araújo pagou para instalar faixas com o nome dele em local público; Ribeiro teve um livro de poemas supostamente pagos com dinheiro público, além de receber publicidade da prefeitura em programa de tevê; Adalberto, quando era presidente do Legislativo, teria autorizado o pagamento de serviços de informática que não tinham sido realizados; e Bonilha já foi denunciado pelo MP porque teria se apropriado de parte do salário de seus assessores.
Segundo Galatti, todas as investigações em andamento, exceto a que envolve Guergoletto, estão em fase final. Ontem, Flávio Vedoato evitou nova polêmica e não quis comentar a iniciativa do promotor, em pedir a fita da Câmara. Ele disse apenas, por meio da assessoria de imprensa, que vai analisar o pedido antes de fazer qualquer comentário.


