Curitiba - O procurador-geral de Justiça, Olympio de Sá Sotto Maior Neto, chefe máximo do Ministério Público (MP) do Paraná, enviou ontem recomendação administrativa ao presidente da Assembleia Legislativa (AL) do Estado, Nelson Justus (DEM), para que o diretor de pessoal da Casa, Cláudio Marques, se afaste do cargo. Cláudio foi prestar depoimento ao MP sobre as irregularidades no Legislativo denunciadas pela imprensa, mas, segundo o procurador-geral de Justiça, ele não quis colaborar, se reservando no direito de permanecer calado.
Para Sotto Maior Neto, a postura do diretor de pessoal, que é funcionário público estável, revela que ele não tem condições de permanecer no cargo, daí o pedido de afastamento. ''Quem se recusa a prestar esclarecimento arguindo a possibilidade constitucional é porque aquilo que ele vai dizer pode incriminá-lo. Ele não tem condições de permanecer no cargo'', disse Sotto Maior Neto, durante entrevista ontem à RPCTV. ''Toda vez que não houver colaboração com o MP, vamos tomar as medidas administrativas ou judiciais necessárias'', continou ele.
A reportagem procurou obter a resposta da AL, em relação à recomendação administrativa com a assessoria de imprensa da Casa, mas não houve retorno até o fechamento da edição. A reportagem também não conseguiu contato com o diretor de pessoal.
Ontem, o deputado estadual Nelson Justus falou publicamente sobre a comissão de sindicância aberta internamente para apurar as irregularidades. Justus respondeu às críticas do deputado estadual Tadeu Veneri (PT), que não concorda com os rumos da investigação interna. Uma das suas sugestões do petista, a de indicar um representante de cada bancada da Casa para acompanhar os trabalhos da comissão de sindicância, não foi acatada por Justus. O grupo é formado por três funcionários efetivos da AL e mais dois técnicos indicados pelo Tribunal de Contas do Estado.
Veneri questionou ainda a capacidade de investigação de uma sindicância que tem apenas prazo de 15 dias para concluir os trabalhos. ''Colocar três funcionários da Casa para fazer uma investigação de 15 dias? Vão fazer o quê? Analisar 500 contas de funcionários? É preciso ter um plano de trabalho, que ninguém até agora sabe qual é'', criticou o petista.
Justus afirmou que o prazo, se necessário, pode ser ampliado. E também voltou a discursar em defesa da Casa. Segundo ele, ''embora exista uma dificuldade extraordinária, estamos avançando''. ''É um caminho sem volta, não estava blefando''. Justus destacou ainda que o Legislativo tem colaborado com o MP e que três pedidos de informação feitos por promotores de Justiça já foram respondidos. ''Tínhamos um prazo de dez dias e respondemos com quatro dias de antecedência'', reforçou ele. A assessoria de imprensa do MP informou que os promotores de Justiça buscam informações sobre determinados servidores da Casa, incluindo o diretor geral afastado, Abib Miguel.

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