MP recebeu ontem relatório da CPI dos Jogos da Natureza
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2003
Giovana Kindlein<br>Reportagem Local 
O presidente da CPI dos Jogos Mundiais da Natureza, deputado estadual Dobrandino da Silva (PMDB), entregou ontem à procuradora-geral de Justiça do Paraná, Maria Tereza Uille Gomes, todo o trabalho e documentação da comissão realizados nos últimos oito meses, em uma caixa que pesava cerca de 20 quilos. ''Encontramos centenas de irregularidades'' disse o deputado sobre o evento promovido há seis anos pela administração do governador Jaime Lerner (PSB) em setembro de 1997.
O relatório final da comissão foi apresentado na semana passada na Assembléia Legislativa. Os Jogos Mundiais da Natureza, realizados em Foz de Iguaçu, conforme documentação, patrocinaram até a vinda de atletas estrangeiros de sky-surf, atividade praticamente inexistente no Brasil. O custo total das despesas com os jogos foi estimado em R$ 80 milhões.
Além dos depoimentos tomados, a comissão se baseou em relatórios do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Em 2000, o tribunal desaprovou a prestação de contas da Secretaria de Estado do Meio Ambiente referentes ao evento.
Entre as supostas irregularidades analisadas pela CPI, de acordo com Dobrandino, existem fortes indícios de superfaturamento na desapropriação de quatro áreas para a construção de bases náuticas. ''Os preços estão quatro vezes maiores do que são praticados na região'', afirmou ele.
Dobrandino detalhou o caso da construção do canal da barragem, que foi orçado em R$ 7,8 milhões, recebeu dois aditivos e subiu para R$ 11 milhões, chegando no final, conforme o deputado, ao custo de R$ 35 milhões. ''Três empresas passaram pela obra, e ainda assim ela não foi concluída'', ressaltou.
Outra das supostas irregularidades apuradas pela comissão refere-se aos gastos com a organização e propaganda do evento. Segundo ele, quatro agências de publicidade, entre elas, a do genro de Lerner, teriam faturado juntas R$ 20 milhões na época. ''Agora, o Ministério Público deverá tomar as providências cabíveis e responsabilizar os culpados pelo desperdício do dinheiro público'', concluiu.


