O procurador Armando Antônio Sobreiro Neto, coordenador das promotorias eleitorais do Paraná, disse que em face das regras mais rígidas é possível que candidatos se arrisquem a praticar atos ilícitos, mas garante que o MP vai verificar todas as denúncias de eventual caixa dois ou fraudes para burlar a entrada de recursos ilícitos nas campanhas. A confirmação de tais fatos pode levar à cassação de registros, diplomas ou mandatos.
"Imaginamos que, no geral, não se arrisquem a fraudar os sistemas de arrecadação e gastos, mas sempre há possibilidade de alguém tentar burlar o sistema legal. E, então, nossa reação vai ser apurar as denúncias ou contradições nos dados da prestação de contas", explicou Sobreiro Neto, enfatizando que campanhas com propagandas ostensivas vão despertar a atenção de eleitores, de oponentes e do MP. "Vai ficar evidente a diferença entre os candidatos que seguem o limite e os que não seguem, vai ficar evidente nas ruas. Nós estamos atentos a isso."
A análise dos dados do volume de gastos, disse o procurador, poderá ser feita, por exemplo, a partir das informações que obrigatoriamente devem ser prestadas pelos candidatos praticamente em tempo real. Com a nova lei, criou-se a exigência de registro de doações e de gastos, no máximo, a cada 72 horas, após a movimentação. "Essas informações terão que ser compatíveis com a prestação de contas."
Sobre eventual prejuízo ao eleitor para a escolha do candidato, o procurador acredita que será necessário esperar o final do pleito. "Precisamos avaliar isso do ponto de vista do ato decisório do eleitor. Antes, tinha eleitor que pegava na rua um ‘santinho’ para decidir seu voto. Vamos ver se isso não vai se repetir; vamos analisar votos brancos e nulos. Ao final, teremos uma visão mais clara." (L.C.)

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