MP recebe hoje homenagem em Praga
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sábado, 06 de outubro de 2001
Cristiane Oya<br> De Londrina 
Os promotores Cláudio Esteves, Solange Vicentin e Bruno Galatti, e o representante do Movimento pela Moralização na Administração Pública de Londrina, Valter Orsi, recebem hoje, em Praga, na República Tcheca, o Prêmio Integridade, na 10ª Conferência Anticorrupção da Organização Não-Governamental (ONG) Transparência Internacional.
O trabalho do Ministério Público (MP) e a atuação da sociedade organizada no combate ao desvio de dinheiro da Prefeitura de Londrina, que ficou conhecido como escândalo AMA-Comurb, e levou à cassação do mandato do ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido), foi reconhecido pela ONG, como um dos mais importantes trabalhos contra a corrupção dos cinco continentes.
Essa é a primeira vez que brasileiros são premiados pela ONG. Eles foram indicados pela Transparência Brasil, que é vinculada à organização internacional. O único latino-americano premiado foi o servidor público argentino Alfredo Pochat, no ano passado. O servidor, assassinado antes da entrega do prêmio, denunciou irregularidades no governo argentino. Segundo dados da ONG, criada em 1993, o Brasil ocupa a 46ª posição - entre 91 países - no ranking de Percepções de Corrupção da Transparência Internacional de 2001.
''É muito importante para nossa instituição o reconhecimento desse trabalho. É uma indicação que estamos trilhando o caminho certo e um reconhecimento que o MP tem que ser transparente nas suas ações, a comunidade tem que estar ciente e ser informada do que está acontecendo'', afirmou a promotora Solange Vicentin.
''Esse prêmio tem que ser considerado como um momento de reflexão da nossa comunidade, do nosso Estado e até do nosso País, sobre a nossa situação política, social, jurídica que vivemos. Significa que em Londrina se estabeleceu o mínimo de senso crítico em torno da questão da moralidade pública e não é possível combater a corrupção em qualquer lugar do mundo, sem esse mínimo de massa crítica'', complementou Galatti.
Apesar do reconhecimento internacional, Galatti recordou que no início das investigações, em fevereiro de 1999, os promotores sofreram com o descrédito da própria população. ''Ninguém poderia imaginar que aquela denúncia de falta de cumprimento do contrato de roçagem de grama da empresa Tâmara pudesse chegar onde chegamos nesse momento. O Poder Público municipal contava na época com mais de 80% de índice de aprovação. A prefeitura contava com milhões nos seus cofres da venda da Sercomtel, o comércio e a sociedade estavam felizes, e ninguém estava observando que o dinheiro estava se perdendo pelo ralo'', afirmou. ''Foi realmente um trabalho inusitado porque a cada momento surgiam situações novas que foram dando uma noção do que de fato estava encoberto, oculto, por esse verdadeiro mar de lama que existia na administração pública de Londrina. Mas o mais importante é que os responsáveis sejam punidos'', disse Esteves.
Hoje, cópias de mais de 200 licitações públicas, cheques, ordens de pagamento e documentos bancários ocupam grande parte de uma sala na Promotoria de Investigações Criminais e nas salas dos promotores. A promotora acredita que a serão ajuizadas ações ''no mínimo'' nos próximos dois anos. O julgamento final das ações pode levar de cinco a dez anos. ''Acho que em um determinado aspecto, já cumprimos um objetivo, que foi elucidar o que acontecia e desmontar uma quadrilha que ocupava a administração pública'', complementou Esteves.


