A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público vai investigar a publicidade feita pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), por intermédio da Mercer Comunicação Publicitária Ltda., de Curitiba. Em 1995, a empresa foi contratada para realizar a publicidade de 12 órgãos do Governo do Estado, entre eles a Secretaria de Ciência e Tecnologia, na qual a universidade é subordinada. O contrato, de R$ 5.273.854,00, recebeu um aditivo em maio de 99.
A Folha teve acesso a um documento em que o promotor Bruno Galatti dá prazo de 15 dias para a UEL encaminhar ao MP cópias de lei, decreto, portaria e parecer ‘‘de todo e qualquer elemento jurídico capaz de justificar a utilização de empresa de publicidade licitada pelo governo do Estado para prestar serviços de publicidade à UEL.’’ O promotor também deu 15 dias para a instituição indicar as campanhas publicitárias desenvolvidas pela empresa Mercer em nome da UEL, além das cópias de autorizações ou ordem de serviço.
Galatti ainda requisitou os Pedidos de Autorização de Divulgação e Veiculação (PADVs) encaminhados pela Secretaria de Ciência e Tecnologia, além do plano de mídia e os comprovantes de exibição. Questionado sobre o pedido, o promotor não quis dar qualquer declaração. As solicitações referentes à Mercer chegaram à UEL no mesmo ofício em que são pedidas cópias das notas fiscais e empenhos de 96 em favor da Rádio Nova Ingá. A emissora pertence ao ex-deputado federal Benedito Pinga-Fogo de Oliveira.
A publicidade da UEL passou a ser investigada pelo MP depois que o apresentador de TV de Maringá Márcio Mello acusou Itaicy Mendonça, chefe de gabinete do reitor Jackson Proença Testa, de ter sido favorecido com aproximadamente R$ 8 mil. O valor seria uma devolução de um contrato entre a UEL e a Rádio Nova Ingá.
No final da tarde de ontem, Mello (que era sub-gerente da emissora maringaense), prestou depoimento na comissão de sindicância aberta pela universidade para averiguar a denúncia. ‘‘Eu reiterei mais uma vez o que disse sobre o extorno da verba de mídia com relação à Rádio Nova Ingᒒ, afirmou.
Mello disse acreditar que a documentação sobre sua movimentação bancária vai provar que teria emitido um cheque a favor de Itaicy, por determinação de Pinga-Fogo. Segundo ele, o cheque voltou duas vezes por falta de fundos e, na sequência, Itaicy teria ido pessoalmente a Maringá buscar o dinheiro.
O apresentador alegou que não se recorda do valor do cheque, mas garante que era alto. ‘‘O valor não era pequeno, porque não teria que colocar o dinheiro num pacote’’. Depois afirmou que o valor entregue a Itaicy deve ser próximo a R$ 8 mil. Ele também voltou a dizer que foi ameaçado de morte por Pinga-Fogo e que o ex-deputado recebia de R$ 15 mil a R$ 20 mil para falar bem do ex-prefeito afastado de Maringá Jairo Gianoto (sem partido).
O auditor da UEL, Anisio Ribas Neto, disse que o ex-deputado deve confirmar hoje se irá prestar depoimento à sindicância. Ele pretende encerrar os trabalhos amanhã. ‘‘Pelos dados e informações que temos não se faz necessário pedir a dilação de prazo.

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