O Ministério Público Eleitoral de Londrina encaminhou à Procuradoria Regional Eleitoral, em Curitiba, o pedido de providências que acusa o Partido dos Trabalhadores (PT) local de cobrar dízimo de funcionários públicos ''comissionados ou não'', filiados à sigla. O documento havia sido repassado em julho deste ano ao promotor da 41 Zona Eleitoral, Miguel Sogaiar, pelo Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), autor da denúncia.
No pedido, o PRTB acusa o PT de descontar o dízimo partidário, compulsoriamente, na folha de pagamento de membros da sigla que participam da administração municipal direta e indireta. A medida foi considerada ilegal e inconstitucional, este ano, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
De acordo com Sogaiar, o ofício foi repassado ao procurador regional eleitoral, João Gualberto Garcez Ramos, porque ''a competência para avaliar o caso'' seria do órgão. Ainda conforme o promotor, a denúncia teria sido formalizada pelo presidente local do PRTB, Luiz Fernando de Almeida Mello, por meio de documentos. ''Passei à Procuradoria os indícios também porque, provavelmente, a análise terá de ser feita em todo o Paraná. É algo de nível estadual'', resumiu o promotor.
A Folha tentou contato com Mello, mas ele estava com o celular desligado. Na Procuradoria Regional Eleitoral, a assessoria de imprensa informou que o ofício enviado em 11 de julho por Sogaiar ainda está sob análise, já que o procurador voltou recentemente do período de férias.
Presidente do PT em Londrina e secretário municipal de Gestão Pública, Jacks Dias negou que a sigla faça a cobrança de dízimo na folha de pagamento dos filiados. ''O que existe é a contribuição partidária, que é voluntária e fonte de sobrevivência da sigla. Aliás, prestamos contas desses valores doados espontaneamente'', disse, sem saber especificar quantos são os filiados que contribuem hoje. O tesoureiro do PT, Francisco Moreno, não foi localizado para citar o dado.

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