MP quer verificar contas do PT e da reeleição
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quinta-feira, 11 de agosto de 2005
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
O promotor da 41 Zona Eleitoral, Miguel Sogaiar, encaminhou ontem ao juiz Jurandyr Reis Júnior, um pedido de verificação completa nas contas do diretório municipal do PT, durante o ano de 2004, e na prestação de contas da campanha de reeleição do prefeito Nedson Micheleti (PT). Sogaiar investiga a denúncia da ex-assessora da campanha, Soraya Garcia, de um suposto caixa 2 na campanha petista.
''Não tenho dúvidas que existe verba não contabilizada (na prestação de contas). Estaria até sendo omisso se não atuasse com medidas eleitorais. Isso está no inquérito. Não estou condenando ninguém'', justificou Sogaiar.
Conforme o promotor, os dados do PT e da campanha poderão ser confrontados. ''Quem vai ter que fazer (a escrituração das contas) é a Justiça Eleitoral. A auditoria do Ministério Público (MP) vai também dar norte do que será verificado'', disse.
Segundo Sogaiar, foi encontrado o depósito de um cheque de R$ 10 mil no extrato bancário do ex-coordenador estrutural da campanha, Augusto Dias Júnior, encaminhado à Polícia Federal (PF). Soraya afirmou no depoimento prestado ao MP, que pela conta de Augusto, teriam passado três cheques de R$ 10 mil. ''São dados que constam no inquérito e que têm que haver uma explicação. Pelo menos um cheque de R$ 10 mil apareceu. São fatos que nos levam a questionar a prestação de contas.''
O delegado da Polícia Federal (PF), Kandy Takahashi que preside o inquérito policial solicitou esta semana a extensão da quebra do sigilo bancário de Augusto para todo o ano de 2004. ''Para aprofundar as informações que estão no inquérito, saber se houveram outras movimentações e confusões de contas conforme ele havia antecipado na imprensa'', argumentou. A reportagem tentou entrar em contato com Augusto, mas o telefone celular dele estava desligado.
Em entrevista concedida à Folha no dia 5, Augusto negou que houvesse os depósitos, mas admitiu que pela sua conta pessoal possam ter passado recursos para a campanha. ''Os depósitos que eu fiz eram particulares, a sua grande maioria. A vida de uma campanha eleitoral é intensa, a gente vive a 120 quilômetros por hora. Mas posso ter trocado o depósito na conta, era para ter depositado em uma, depositei na outra'', relatou.
O advogado do PT em Londrina, João dos Santos Gomes Filho, apoiou a verificação das contas. ''O doutor Miguel fez o que eu esperava. Já estávamos fazendo isso (auditoria nas contas), estamos fazendo a mesma coisa'', afirmou. Gomes Filho afirmou que deverá solicitar hoje à PF o acesso ao processo. ''Amanhã (hoje) vou conhecer o processo'', garantiu.


