MP quer Polícia Federal na investigação sobre caixa 2
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quarta-feira, 28 de novembro de 2001
Rodrigo Sais <br> De Curitiba 
O Ministério Público (MP) estadual solicitou a participação da Polícia Federal nas investigações sobre as denúncias de que o comitê de campanha do prefeito Cassio Taniguchi (PFL) teria omitido uma movimentação de R$ 29,8 milhões à Justiça Eleitoral no ano passado. A solicitação da abertura de um inquérito policial foi feita pelo promotor eleitoral Valclir Natalino da Silva, atendendo a um pedido de providências protocolado pelos partidos de oposição a Cassio no dia 13 de novembro.
Na manifestação encaminhada ao juiz Espedito Reis do Amaral, da 1 Zona Eleitoral, o promotor argumenta que as denúncias investigadas pelo MP podem caracterizar crime eleitoral, delito que é de competência da Polícia Federal. ''A participação da Polícia Federal pode ajudar para estabelecermos se houve ou não uma movimentação financeira ilegal'', explica Natalino da Silva.
O processo volta agora para Amaral, que após analisá-lo decidirá se atenderá ao pedido do MP. Caso o juiz rejeite o pedido, ainda caberá recurso aos partidos oposicionistas. Mas, pelas declarações de Amaral, essa hipótese não parece provável. ''Desde o começo das discussões sobre o caso, defendi que a Polícia Federal seria a esfera adequada para apurar se houve crime. Mas preciso analisar o processo para ver se o pedido é consistente, a fim de evitar constrangimentos aos envolvidos'', argumenta o juiz.
Amaral deve pronunciar-se sobre o pedido do MP ainda esta semana. Enquanto isso, o órgão continua a ouvir o depoimento dos representantes das empresas citadas nos documentos confirmados como sendo autênticas pelo tesoureiro de Cassio, Francisco Paladino Júnior.
Para esta semana estão previstos o depoimento de três empresários que teriam prestado serviços ao comitê do PFL no ano passado. Os responsáveis pelas empresas Digidata, Mikito e Risotolândia já foram convocados pelos promotores para prestar esclarecimentos.
Dentre esses, o depoimento mais esperado é o do presidente da Risotolândia, Carlos Gusso. A empresa aparece nos documentos como tendo sido utilizada como fachada para ''esquentar'' dinheiro que foi arrecadado pelo comitê. Segundo a prestação de contas oficial do PFL, a Risotolândia teria doado R$ 100 mil à campanha de Cassio. De acordo com apontamentos do livro-caixa investigado pelo MP, a empresa teria recebido a mesma quantia do comitê um dia após a doação.


