A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público em Londrina aguarda há três semanas resposta da Justiça Federal Criminal de Curitiba em relação ao pedido de compartilhamento de provas das investigações sobre o Centro Integrado e Apoio Profissional (Ciap). O material está anexado no inquérito conduzido pela Polícia Federal (PF) que, em maio, a partir de relatório da Controladoria Geral da União (CGU), realizou buscas no interior e na capital e prendeu 12 pessoas ligadas à oscip. Quatro seguem presas - o ex-presidente do conselho administrativo do Ciap Dinocarme Aparecido Lima, dois filhos dele e um contador da entidade.
Conforme as investigações, que resultaram, em julho, em denúncia criminal proposta pelo Ministério Público Federal (MPF) por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, já acatada pela Justiça, o grupo teria desviado cerca de R$ 300 milhões de verbas federais repassadas por meio de convênios com prefeituras, ao longo de cinco anos.
No caso de Londrina, onde, segundo a PF e a CGU, os desvios teriam sido de R$ 10 milhões no período investigado, o Ciap mantém convênios com a administração municipal para execução do Programa Sa© úde da Família (PSF), Samu, Policlínica e controle de endemias, em um total de mais de R$ 48 milhões/ano. Após a denúncia do MPF e da ''Operação Parceria'', da PF, contudo, a Prefeitura anunciou que, devido a auditoria interna ainda não finalizada sobre os convênios, teria encontrado irregularidades que sustentam a hipótese de rescisão.
Em entrevista coletiva anteontem, a ex-presidente em exercício do Ciap Vergínia Mariani e o advogado da entidade, João Gomes, negaram que tenha havido desvio de recursos públicos e formação de quadrilha e minimizaram a postura do Executivo ressaltando que, até o momento, o Ciap não foi comunicado oficialmente de qualquer futuro rompimento.
Pelo Ministério Público Estadual em Londrina, o compartilhamento vai subsidiar procedimentos instaurados sobre os quatro convênios com a administração - a maioria, firmados na gestão passada. Trabalham no caso os promotores Leila Voltarelli, Renato Castro e Sandra Koch.
''Não conhecemos a extensão do material apreendido; solicitamos o compartilhamento do que se referir a Londrina para apurar se há elementos que comprovem, ou não, malversação de dinheiro nos convênios locais, independente de se tratar de verba federal - pois ela vai para o Fundo Municipal de Saúde'', explicou a promotora Leila, que completou: ''Estamos em contato também com o MPF especificamente para ver se terá repercussão cível dos fatos apontados por ele na denúncia criminal''. Se a eventual participação de agentes públicos nos supostos desvios será investigada? ''Não temos, por enquanto, nenhum elemento nesse sentido.''

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