Genebra Promotores de Justiça brasileiros estão propondo a realização de um encontro secreto com autoridades da Suíça para tentar acelerar a investigação sobre movimentações financeiras do ex-prefeito Paulo Maluf (PPB). A estratégia dos promotores seria formar uma comissão oficial – com pleno conhecimento e aval do Ministério da Justiça e do Ministério das Relações Exteriores –, para uma reunião que ocorreria na Suíça, ainda este mês, com Jean-Louis Crochet – procurador-geral do Cantão de Genebra.
Empenhado na missão de fazer contatos com o governo suíço sobre as apurações, o embaixador brasileiro em Berna, Roberto Soares, tem trocado sucessivas informações com os promotores e procuradores da República. Os integrantes do Ministério Público Estadual e do Ministério Público Federal revelam preocupação com a falta de documentos que podem comprovar o percurso de ativos do ex-prefeito na Europa. Até hoje, Brasília não enviou à Suíça o pedido de cooperação judicial despachado há quatro meses pela Justiça Federal em São Paulo.
A iniciativa do encontro em Genebra foi do promotor de Justiça da Cidadania em São Paulo, Silvio Antonio Marques, que conduz ação sobre envolvimento de Maluf em supostos atos de improbidade administrativa e enriquecimento ilícito. Marques suspeita que recursos desviados de contratos de obras públicas teriam sido enviados para contas de Maluf no exterior. Segundo dossiê preparado pelo Bundesamt Fur Polizeiwsen – Polícia Financeira da Suíça –, Maluf teria mantido contas no Citibank de Genebra entre 1985 e 1997. Naquele ano, os recursos (US$ 300 milhões) teriam sido transferidos para a Ilha de Jersey, paraíso fiscal no Canal da Mancha. O ex-prefeito teria movimentado US$ 300 milhões.

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