Curitiba - A Promotoria de Justiça de Proteção à Ordem Tributária, do Ministério Público (MP) estadual ajuizou ontem, em Curitiba, ação penal contra os 27 envolvidos no suposto esquema de desvio de dinheiro dos cofres do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran), em 2002, na gestão do governador Jaime Lerner. As irregularidades foram apuradas pelo MP e o Núcleo de Repressão aos Crimes Econômicos (Nurce), da Polícia Civil do Paraná. O esquema teria lesado o erário em cerca de R$ 9,5 milhões (valores de 2002, não atualizados), através da compra ilegal de créditos tributários da empresa Vale Couros Trading S/A.
Na última terça-feira, durante uma operação Trânsito Livre, deflagrada pelo MP em conjunto com o Nurce, foram presas preventivamente 24 pessoas que tinham participação no golpe, entre empresários, funcionários públicos e advogados. As prisões ocorreram em Curitiba e também em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Porto Alegre e em Brasília. Na quarta-feira, mais duas pessoas foram presas em Brasília.
Além dos 26 presos, também foi denunciado pelo MP, por lavagem de dinheiro, o doleiro Alberto Youssef. Outras quatro pessoas estão sendo denunciadas pelo mesmo crime. Youssef seria o responsável por pulverizar o dinheiro desviado para escapar das auditorias bancárias. Assinam a denúncia criminal os promotores de Justiça José Geraldo Gonçalves e Marcelo Alves de Souza.
Ontem, a juíza Lílian Romero, da 2 Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJ), concedeu habeas corpus ao ex-diretor do Detran César Roberto Franco e à ex-coordenadora financeira do Detran Eliane Keiko Kobiraki Carvalho. Franco estava preso no Centro de Triagem II, em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. Já Eliane estava presa no Centro de Triagem Feminino, também em Piraquara, onde permanecem outras cinco mulheres presas na operação. Franco e Eliane estão sendo denunciados pelo MP por formação de quadrilha, falsidade ideológica, peculato e fraude em licitações.
Outros três pedidos de habeas corpus estão sendo analisados pela mesma juíza. Os pedidos foram feitos pelos presos Fernando Túlio Villa Éboli, que atuava na área financeira, pelo empresário Maurício Roberto Silva e pelo ex-coordenador jurídico do Detran Carlos Alexandre Negrini Bettes. No caso do empresário Maurício Roberto Silva, há ainda uma outra prisão preventiva decretada pela 2 Vara Federal Criminal de Curitiba, anteontem, a pedido do Ministério Público Federal (MPF). O órgão também investiga irregularidades envolvendo empresas privadas, o Detran e a Companhia de Energia do Paraná (Copel).
Os presos durante a operação Trânsito Livre começaram a prestar depoimentos anteontem a delegados do Nurce. Entre os 26 presos, 14 já foram ouvidos nos dois últimos dias.

mockup