O Ministério Público do Paraná (MP-PR) apresentou esta semana uma denúncia criminal contra dois vereadores da Câmara Municipal de Maringá, João Alves Corrêa – presidente da Mesa Executiva – e Wellington Andrade Freitas, e contra o secretário municipal de Controle Urbano e Obras Públicas, Walter José Progiante, por supostamente terem exigido vantagens de um empresário para liberar a instalação de um posto de combustível no município.

Segundo a denúncia do MP-PR, em 2007, o empresário teria buscado a liberação do empreendimento junto à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano. O alvará teria sido concedido, mas logo após a Pasta teria informado que a liberação estava suspensa, por conta de uma lei municipal.

O empresário teria então procurado o vereador João Alves Corrêa, para que este apresentasse um projeto legislativo para alterar a lei. Procurado, segundo relata o MP-PR, o vereador "aceitou promover a alteração da legislação municipal, não sem antes, solicitar ao interessado que lhe entregasse vinte mil litros de combustível (óleo diesel) para ser utilizado num porto de areia que possuía no Rio Paraná, próximo do Porto São José, neste Estado". Em outubro de 2008 foi dada entrada do projeto no Legislativo, com "urgência na tramitação".

O projeto, porém, foi retirado de pauta. O empresário teria, então, procurado outro vereador, Wellington Andrade Freitas, que teria cobrado 40 mil para apresentar outro projeto. O empresário, por fim, teria procurado o próprio secretário municipal de Controle Urbano e Obras Públicas, que também teria exigido vantagem financeira para auxiliá-lo.

O secretário municipal, no entanto, negou que tenha pedido dinheiro para liberar a instalação do posto. "Eu lembro desse caso, mas neguei o alvará porque o posto não estava de acordo com as regras do município e não pedi dinheiro nenhum. Isso aconteceu em 2008, e é muito estranho o MP divulgar essas informações sendo que eu nem fui intimado ou notificado", alegou. Freitas não quis comentar com detalhes o assunto até ter acesso à denúncia.

O vereador Wellington foi além, e afirmou que irá processar o empresário por calúnia e difamação assim que for notificado da denúncia do MP. "Eu desafio qualquer promotor a provar que eu pedi dinheiro para fazer qualquer projeto para esse empresário. Já tinha um projeto para revogar essa lei na Câmara, então eu não podia fazer outro, mas nunca iria pedir dinheiro para isso. Eu vou processar esse empresário porque ele fez uma denúncia infundada", ressaltou.

O vereador João Alves Corrêa, que está suspenso por 10 dias do cargo por ter retirado a camiseta no plenário, não foi encontrado para comentar o assunto.

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