Foz do Iguaçu - A investigação sobre o maior esquema de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação fiscal do Brasil está sofrendo uma guinada. Os novos alvos são os mentores que usaram ‘‘laranjas’’ para movimentar cifras astronômicas em Foz do Iguaçu, na tríplice fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina).
  Depois de identificar os atravessadores, o objetivo agora é chegar à raiz e ao destino dos mais de US$ 15 bilhões enviados ilegalmente ao exterior após passarem por contas CC-5 de agências bancárias e casas de câmbio iguaçuenses, entre 1992 a 1998. Mais de três mil pessoas estão envolvidas. Por causa dessa fiscalização, os envolvidos aperfeiçoaram os mecanismos para a lavagem.
  O passo inicial para tentar chegar às ramificações do forte esquema já foi dado. Dos cerca de 700 inquéritos instaurados na região, pelo menos 400 estão em fase de transferência para Curitiba, onde moram os agentes bancários, como o diretor-presidente do Araucária, Alberto Dalcanale Neto. Ele garante que as remessas obedeciam às regras do Banco Central.
  A tendência é que 90% do total sejam declinados competência para o judiciário da capital do Estado, entre eles um com 40 volumes e mil anexos. Pelo menos dois processos estão na 3ª Vara Criminal desde o dia 21. As outras duas varas criminais não confirmaram se já receberam algum auto.
  Os alvos do redirecionamento são as centrais do Banestado e do Araucária, em Curitiba (este em fase de liquidação). Elas são acusadas de controlar os depósitos de casas de câmbio e de laranjas da fronteira feitos em suas próprias agências em Foz (e também no Bemge, Banco do Brasil e Real).
  Após receber o dinheiro, as diretorias de câmbio das sedes do Banestado e Araucária convertiam a moeda brasileira em norte-americana, para depois enviá-la para a extinta agência do Banestado, em Nova Iorque. De lá, os dólares eram disseminados entre milhares de terceiros.
  A participação do Banestado nos EUA foi descoberta numa diligência iniciada no ano passado pela Polícia Federal, a pedido do Ministério Público Federal. Laudo conclusivo apresentado em julho revelou a existência de 137 contas correntes, que canalizaram praticamente todo o dinheiro que partiu da fronteira.
  Como correntistas apareceram o próprio Banestado e Banco Araucária (e seus correspondentes no Paraguai, Integración e Banco Del Paraná), empresas e casas de câmbio. Também figuravam empresários e políticos de São Paulo e Belo Horizonte, apontados como os cabeças das quadrilhas com rede no Rio de Janeiro, Brasília e Salvador. O laudo revelou que, somente pelas principais contas, passaram US$ 14 bilhões pela agência do então Banco do Estado do Paraná, de abril de 1996 a dezembro de 1997.
  Mais de 35 mil pessoas retiraram, eletronicamente, as divisas que foram enviadas pelo Banestado e Araucária, de Curitiba, para as 137 contas nos Estados Unidos. A descoberta contraria a versão que os dólares saíam das agências iguaçuenses direto para o exterior, e acusa os dois bancos de comandar o ‘‘sistema financeiro negro’’.

mockup