MP processa ex-prefeito José Ritti
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domingo, 29 de março de 1998
Patrícia Zanin 
Arquivo FolhaQuando?José Ritti Filho não sabia da citação: Nem vi nada. Que dia mesmo é que eu tenho que comparecer?O Tribunal de Justiça do Estado (TJ) determinou a citação do ex-prefeito de Santo Antônio da Platina, José Ritti Filho, no processo de crime de responsabilidade que o Ministério Público de Jacarezinho move contra ele. Ritti Filho será interrogado no dia 14 de abril, em Curitiba. Não tem sido possível citar Ritti Filho, residente em lugar incerto e não sabido, diz o edital de citação, publicado nos classificados da Folha na segunda-feira.
Ritti Filho ficou sabendo da publicação do edital através da Folha. Parece brincadeira. Moro aqui em Santo Antônio, na rua deputado José Afonso, 567. Não tem quem não saiba. Ele também diz que só tomou conhecimento do processo pela Folha. Nem vi nada. Que dia mesmo é que eu tenho que comparecer?, questionou à reportagem.
De acordo com o TJ, o processo contra ele é resultado de uma ação do Ministério Público que acusa Ritti Filho de ter contratado, sem concurso público, o médico veterinário Quintino Manarim durante sua gestão (1989-1992).
Manarim move uma ação trabalhista contra o ex-prefeito, cobrando o pagamento de horas trabalhadas, mas não pagas. Ouvido pela Folha, Manarim calcula em R$ 4 mil o que teria a receber. Meu contrato era de oito horas diárias, mas eu recebia apenas por seis. Procurei fazer acordo, mas o ex-prefeito nem me recebia.
Ele não quis nem me ouvir, disse ontem. Ele informou que ganhou o processo em primeira estância, em Jacarezinho.
Sobre sua contratação, sem concurso, ele alega que trabalhou na prefeitura durante um ano, em 1992, através de contrato temporário. Que eu saiba não havia nada de irregular. Fui contratado para coordenar a vigilância sanitária e só depois de um curso de três meses, em Curitiba, comecei a atuar.
O ex-prefeito disse não recordar detalhes da contratação do veterinário. Ele não era concursado, mas a prefeitura tinha convênio para contratar por seis meses, um ano, sei lá. Quando terminou o período do contrato, a família foi pedir para ele ficar e eu larguei o cara trabalhando por dó. Agora ele ainda está cobrando na Justiça do Trabalho. É um absurdo. Ritti Filho diz que ainda não constituiu advogado para defendê-lo e atribui o julgamento do processo contra ele a questões políticas. É coisa de adversário político que sabe que a gente está por cima, acredita.


