MP prepara dossiê sobre Eduardo Jorge
Procuradores federais do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília estão montando um dossiê para pedir à Justiça a abertura das contas bancárias e a quebra dos sigilos fiscal e telefônico do ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge Caldas Pereira. O presidente Fernando Henrique Cardoso soube ontem à tarde da iniciativa do Ministério Público (MP). Na avaliação do Planalto, é bem provável que o MP alcance seu objetivo na Justiça. Diante disso, o governo deve mudar a estratégia de defesa que havia preparado para o depoimento do ex-secretário no Congresso.
O dossiê que está sendo elaborado já tem vários capítulos: propostas orçamentárias feitas com créditos suplementares que extrapolaram limites da lei orçamentária; falta de rastreamento por parte do Banco Central da maior parte das ordens bancárias para a obra superfaturada do Fórum Trabalhista de São Paulo; e as ligações escusas entre Eduardo Jorge, o ex-juiz e o ex-senador Luiz Estevão.
Os procuradores estão levantando ainda documentos sobre as empresas de Eduardo Jorge. Um dos procuradores envolvidos na preparação do dossiê disse que os indícios obtidos até agora demonstram que o ex-ministro teve um crescimento patrimonial superior aos seus rendimentos.
Os procuradores da República do Distrito Federal Guilherme Schelb e Luiz Francisco de Souza declararam que as gravações nas fitas divulgadas pela reportagem da revista IstoÉ, têm jeito de armação. A suspeita, tanto dos procuradores como do Planalto, recai sobre o empresário e senador cassado Luiz Estevão, que nega tudo.
Para os procuradores é muito estranho que as pessoas atingidas pelas declarações do juiz Nicolau dos Santos Neto sejam só os inimigos do Luiz Estevão. O procurador Luiz Francisco foi o autor do pedido de prisão preventiva do ex-senador. Isto (a fita) serve tão bem ao senador (Estevão) que parece montado por ele, afirmou.
O governo negou ontem, por meio de notas da Polícia Federal (PF) e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que tenha realizado gravações ou grampos telefônicos envolvendo o juiz Nicolau. As gravações foram publicadas na edição da revista IstoÉ que está nas bancas e reproduzidas ontem pela Folha.
Ao mesmo tempo, o governo suspeita que as gravações tenham sido obra, ou tido algum tipo de colaboração, pelo menos, do empresário e senador cassado Luiz Estevão. Ontem, em uma reunião no Palácio da Alvorada, entre o presidente, Pedro Malan (Fazenda), José Serra (Saúde), Martus Tavares (Planejamento), Gilmar Mendes (AGU) e Barjas Negri (Secretário-Executivo da Saúde), a reportagem da revista foi analisada.
A PF, em nota oficial, disse que mantém uma equipe especializada realizando investigações para capturar o juiz Nicolau dos Santos Neto, mas que não fez gravações. O diretor-geral da Abin, Ariel de Cunto, também em nota oficial, disse que não realizou atividade vinculada a uma suposta investigação sobre o caso do fórum trabalhista de São Paulo.
Ao depor no MP ontem, Mino Pedrosa, repórter da IstoÉ e autor da reportagem das fitas, acabou contradizendo o que publicou. Ele afirmou que não tinha certeza de que as fitas que obteve haviam sido gravadas pela PF e pela Abin, como afirma a revista. Ele foi chamado para prestar depoimento aos procuradores da República que investigam a fraude na obra do TRT de São Paulo.





