Após a conclusão do inquérito que revelou fraudes nas compras de uniformes escolares para o ano de 2011 e 2012, envolvendo o ex-prefeito de Londrina Barbosa Neto (PDT) e o atual, José Joaquim Ribeiro (PSC), a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público prepara duas ações civis públicas por improbidade administrativa contra pelo menos 14 suspeitos de participação no esquema.
Todos foram indiciados no inquérito concluído ontem pelo delegado do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Alan Flore: Ribeiro, que confessou ter recebido propina de R$ 150 mil dos empresários que forneceram os uniformes; Barbosa; os ex-secretários municipais Karin Sabec (Educação), Marco Cito (Governo), Fábio Reali (Gestão Pública) e Lindomar dos Santos (Fazenda); os empresários Marcos Ramos, que segue preso; José Lemes e Wilson Yoshida; o contador Pedro Bresciani; além de Cristina Yoshida, Claudiane Mandelli, Eliane Alves da Silva e Paulina Aparecida de Souza, todas ligadas às empresas.
A promotora Leila Voltarelli disse que dois inquéritos civis foram instaurados. Um deles será para apurar a compra por ''carona'' realizada em 2010 para os uniformes de 2011, ao custo de R$ 8 milhões. Já tramita na 1 Vara da Fazenda Pública de Londrina ação contra Karin Sabec, Marco Cito e as empresas que forneceram os uniformes e as que apresentaram orçamentos para justificar a compra sem licitação. ''Vamos propor uma nova ação com outros fundamentos, como a existência de propina e a inclusão de outras pessoas.'' O segundo procedimento trata da compra de 2012. ''Já constatamos várias ilegalidades nesta licitação.''
A promotoria deve se basear em auditoria que técnicos do MP estão realizando em documentos apreendidos na semana passada, após a prisão dos empresários. ''O montante da propina pode ser maior que isso. Todas as remessas de dinheiro estão sendo verificadas através da contabilidade das empresas'', disse Leila.
Em depoimento, Ribeiro admitiu ter recebido R$ 150 mil. ''Queremos constatar o quanto de fato foi pago a título de propina. O destino da propina ainda não estava definitivamente provado. Num primeiro momento os pagamentos foram feitos ao prefeito (Ribeiro) e posteriormente a Marco Cito'', afirmou Flore. Ele não descartou nem a possibilidade de prisão nem de pedido de afastamento do atual prefeito.
O inquérito será remetido ao Tribunal de Justiça (TJ) devido ao foro privilegiado de Ribeiro e, quando voltar a Londrina, os promotores do Gaeco, por delegação do procurador-geral de Justiça, terão cinco dias para protocolar a denúncia.
Leila Voltarelli lamentou o caso: ''Infelizmente o que se constata é que uma parcela substancial de recursos que deveriam ser destinados para finalidades públicas, inclusive para as áreas que realmente efetivam os direitos das pessoas, como saúde e educação, tem sido desviada da forma injustificável para favorecer particularmente os que detém poder e deveriam cuidar dos interesses da sociedade''.
A investigação criminal sobre os uniformes começou com Karin Sabec, que confirmou o esquema e disse inclusive ter entregue um envelope com R$ 50 mil para Barbosa, dinheiro que recebeu de José Lemes. Em seguida, três empresários admitiram ter pago propina. E, finalmente, Ribeiro também assumiu a culpa.

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