MP pode ter sido alvo de escutas telefônicas
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quarta-feira, 06 de setembro de 2006
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os promotores responsáveis pelas investigações de interceptações telefônicas ilegais pela Promotoria de Investigação Criminal (PIC) disseram, ontem, que um dos presos teria confirmado sua participação e dos outros detidos nas atividades e o envolvimento do policial civil Délcio Augusto Rasera. O depoimento do técnico de telefonia Isaque Pereira da Silva se estendeu até às 3 horas da madrugada de ontem. Ele seria o responsável pela instalação das escutas.
Foi a partir de Silva, identificado nas investigações de atividades de jogo do bicho na região metropolitana de Curitiba, que a PIC chegou ao nome do investigador Délcio Rasera. A existência de escutas ilegais levou os promotores a pedirem o desdobramento das investigações, que se concentravam em Campo Largo. Por isso, os mandados judiciais foram expedidos por lá.
O promotor Walber Alexandre Souza afirmou que há indícios fortes de que o Ministério Público (MP) estadual, também, foi alvo das escutas clandestinas. Isso só será confirmado, no entanto, quando for concluída a perícia no material apreendido. A PIC não tem indícios, até o momento, de nenhuma vinculação criminosa de Rasera com o governo do Estado. ''Independente da função dele (Rasera) no governo, ele exercia atividades particulares e isso que ficou mais evidenciado nessa investigação'', afirmou.
Foram expedidos sete mandados de prisão, dois deles ainda a serem cumpridos. Outras duas prisões aconteceram em flagrante. Além de Rasera e Silva, estão detidos Laércio José Licheski, que além da preventiva foi flagrado por porte ilegal de arma, Mauro Fabrin e Juraci Pereira Macedo. Deni Mateus dos Santos e Doroti Mateus dos Santos foram presos em flagrante por crime de interceptação telefônica clandestina. Doroti também teve flagrante por fraude processual, por ter tentado esconder provas durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão.


