O relatório da Auditoria Interna do Município de Londrina no contrato entre a Celta System e a Autarquia de Cemitérios e Serviços Funerários (Acesf) foi encaminhado ontem à Promotoria de Investigações Criminais (PIC). A informação foi confirmada pelo promotor Cláudio Esteves. Ele afirmou que ainda não analisou os documentos, mas ‘‘possivelmente’’ irá instaurar um procedimento investigatório a partir da auditagem feita pela prefeitura. A PIC já investiga outra licitação que a Celta venceu na extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb, atual CMTU). A empresa pertence ao delegado regional do Trabalho, Celso Soares da Costa, que é de Londrina.
O relatório elaborado pelo auditor Osvaldo Alves de Lima acusa a Celta System cometer irregularidades para vencer uma licitação para fornecimento de software administrativo para a Acesf. Lima afirma que o nome de sua própria empresa – Precisa Informática – foi usada indevidamente no processo licitatório. Outra empresa, chamada Assecla, também teria sido usada irregularmente.
Segundo o advogado de Celso Costa, Glauco Ramos, existem provas de que o serviço foi prestado e que, na época, o auditor era contador de Costa e teria ajudado a elaborar o contrato. Lima confirma que prestou serviços de contabilidade para Costa, porém desmente que tenha auxiliado a elaborar documentos para a licitação. Segundo ele, a Celta System fraudou os documentos e também não prestou o serviço pelo qual recebeu R$ 8 mil.
Ontem à tarde, o procurador-geral da prefeitura, Carlos Roberto Scalassara, emitiu um parecer solicitado pelo secretário de Governo, Jorge Coimbra, questionando a eventual participação de Lima no processo licitatório. Segundo o parecer, emitido com base no Código de Processo Penal, Coimbra deve questionar se o auditor realmente participou do processo.
‘‘Se ele efetivamente participou, entendemos que não seria conveniente sua atuação pessoal na auditagem na Acesf. Mas se a participação dele decorreria de uma fraude, não vejo nenhum obstáculo’’, explicou. Ontem de manhã, Coimbra não sabia se o relatório seria de fato entregue ao Ministério Público. Ele alegou que iria depender da análise do procurador. Porém o documento já estava na PIC.
A auditoria envolvendo a Celta System provocou uma reação inesperada do prefeito em exercício, Luiz Carlos Bracarense (PPS). Ele encaminhou uma carta à Folha dizendo que a administração não se responsabilizava pela divulgação do relatório. O prefeito Nedson Micheleti (PT) – que está em viagem na Alemanha – sempre afirmou que Osvaldo Lima teria liberdade para realizar um trabalho independente. O delegado do Trabalho, Celso Costa, afirmou que irá processar criminalmente o auditor. (L.R.)

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