MP pode entrar com nova ação hoje
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segunda-feira, 15 de maio de 2000
Lucilia Okamura De Londrina 
O Ministério Público (MP) de Londrina deve anunciar hoje sua segunda grande providência judicial no chamado Escândalo AMA-Comurb a primeira foi a medida cautelar inominada que culminou ontem com o afastamento do prefeito Antonio Belinati (PFL). A Promotoria Pública deve ingressar hoje com uma ação civil pública por improbidade administrativa, possivemente com fatos relacionados à Autarquia Municipal do Ambiente (AMA).
O promotor Cláudio Esteves, um dos responsáveis pelas investigações junto com os promotores Solange Vicentin e Bruno Galatti, evita dar prazos ou detalhes sobre a ação. Mas a movimentação no Ministério Público tem sido intensa nos últimos dias, indicando que a próxima providência pode ser tomada hoje. Esteves diz apenas que ação civil vai compreender um grupo de fatos. As investigações estão se dando no tempo adequado; não podemos tomar decisões precipitadas, afirmou.
Foi na AMA que todo o trabalho de investigação do MP começou, em fevereiro do ano passado. A primeira denúncia refere-se a um contrato de capina e roçagem em terrenos públicos e particulares que teria sido superfaturado. Hoje são cerca de 30 contratos licitatórios fraudulentos que estão sendo apurados pelos promotores.
Na Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), o Ministério Público investiga aproximadamente 170 contratos licitatórios na modalidade carta-convite. Até agora, os promotores apuraram um desvio de pelo menos R$ 16 milhões dos cofres públicos. Estima-se que grande parte dos recursos foi utilizado em campanhas eleitorais de 1998. Esteves garantiu que as providências do MP atingirão todos os envolvidos no escândalo. A Promotoria Pública não vai excluir nenhum dos envolvidos, afirmou. Em breve, mais promotores serão designados para o caso, devido ao grande volume de trabalho.
Além de preparar a ação que trata possivelmente da AMA, os promotores se concentram na ação civil referente à medida cautelar. Esteves explicou que o prazo de 30 dias para ingressar com a ação civil de ressarcimento de danos e sanção por atos de improbidade administativa começa a correr a partir da efetivação da liminar isto é, quando Belinati for afastado de seu cargo.
O afastamento do prefeito e a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico das 57 pessoas físicas e jurídicas citadas na medida cautelar darão respaldo para que os promotores colham provas complementares. Do total dos 57 investigados, metade está com sigilo bancário quebrado, segundo Esteves. A família Belinati ainda não teve o sigilo bancário quebrado, observou o promotor.
Os promotores preferiram não tecer comentários detalhados sobre a decisão do juiz da 6ª Vara Cível, Celso Saito, que deferiu ontem todos os pedidos do MP. Foi uma decisão importante que dá respaldo ao Ministério Público, resumiu.


