MP pede prisão de mulher de suposto líder da organização
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quarta-feira, 22 de abril de 2015
Loriane Comeli<br>Reportagem Local 
Os promotores que atuam no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) pediram a prisão preventiva da auditora fiscal da Receita Estadual de Londrina Ana Paula Pelizari Marques Lima, mulher de Márcio de Albuquerque Lima, apontado como líder da organização criminosa que cobrava propina de empresários para deixar de multá-los por recolhimento indevido de ICMS ou sonegação fiscal, considerado foragido, já que sua prisão foi decretada em 20 de março e ele ainda não se apresentou. O Ministério Público (MP) também pediu a prisão dos auditores Amadeu Serapião e Ademir Andrade, cujo envolvimento ainda não era conhecido.
Os pedidos de prisão de Ana Paula e Serapião foram feitos na cota ministerial, espécie de anexo à denuncia protocolada pelo MP no último dia 13. Já a prisão de Andrade havia sido solicitada antes. Porém, a juíza que está respondendo pela 3ª Vara Criminal de Londrina, Deborah Penna, ainda não decidiu sobre nenhum deles.
A cota, assim como a denúncia, foi publicada ontem no sistema digital da Justiça do Paraná, o Projudi, e consta como "sigilo mínimo" (acessível a qualquer advogado), embora seja incomum divulgar este tipo de informação antes da decisão judicial pelo deferimento ou não da medida. O promotor Cláudio Esteves, coordenador do Gaeco, preferiu não fazer comentários.
Na cota, os promotores explicam que não se constatou, até o momento, que Ana Paula e Serapião atuavam no "serviço de campo", ou seja, que solicitavam vantagem indevida de empresários, mas "tinham completo domínio dos fatos praticados diretamente por seus colegas auditores fiscais". Ele sabiam e planejavam em conjunto as propinas que seriam exigidas e delas se beneficiavam, escreveram os promotores.
O MP justifica o pedido de prisão de Ana Paula afirmando, entre outros fatos, que ela "ocultou objetos e documentos que pudessem vir a prejudicar e também a comprometer os demais integrantes da organização criminosa". Tal crime, de supressão de documentos, previsto no artigo 305 do Código Penal, teria sido praticado dias antes da deflagração da Operação Publicanos, que cumpriu dezenas de mandados de prisão e de busca e apreensão. Ela também teria ocultado joias e objetos de valor.
Os promotores ressaltam ainda que assim como Lima, Ana Paula também não tem sido vista na cidade. Na Receita Estadual de Londrina, a informação é de que ela está de licença.
Quanto a Serapião, o auditor teria retirado arbitrariamente computadores de uma empresa de produtos hidráulicos cujo proprietário recusou-se a pagar propina inicialmente exigida pelo auditor Luiz Antonio de Souza, preso desde janeiro, quando foi flagrado em um motel com uma adolescente de 15 anos.
A reportagem não teve acesso aos motivos do pedido de prisão de Andrade e tampouco conseguiu contato com os auditores, que ainda não têm advogados. Os demais auditores negam a prática de crimes.
Na cota, os promotores pedem ainda a manutenção da prisão preventiva de quem já está detido: 12 auditores, sendo dois foragidos; dos empresários Paulo Midauar, Ednardo Paduan e Stefan Ruthscjilling; de Roseneide de Souza, irmã dos auditores Rosângela Semprebom e Luiz Antonio de Souza; e do policial civil André Luís Santelli, que teria, a pedido da organização criminosa de auditores, oferecido propina a um agente do Gaeco. Ao todo, 63 pessoas foram denunciadas. Se a Justiça receber a ação, os envolvidos se tornam réus.


