O Ministério Público de Londrina ingressou com três novas ações (uma cível e duas criminais) relativas ao caso AMA-Comurb, com novos pedidos de prisão contra o ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido) e supostos envolvidos em desvios de dinheiro público. Na ação cível, proposta ontem, também são réus os deputados federais Alex Canziani (PSDB) e José Janene (PPB), além do deputado estadual Antônio Carlos Belinati (PSL), filho do ex-prefeito (cassado) e da vice-governadora Emília Belinati (PTB).
Os deputados são acusados de se beneficiar de R$ 67 mil desviados da extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb, atual CMTU). O valor, segundo o MP, foi utilizado na compra de marmitex para cabos eleitorais dos deputados na campanha de 1998. Os elementos da mesma ação também embasam nova denúncia criminal, proposta na quinta-feira, onde o MP requisita a prisão de Belinati.
Em outra denúncia criminal, pelo desvio de R$ 25 mil em contrato de licitação fraudulento, foi pedida novamente a prisão de Belinati e de Cassimiro Zavierucha, o ''Carlos Júnior'', apontado como caixa de campanha do ex-prefeito (leia nesta página). O ex-prefeito já foi preso duas vezes, acusado de ser o principal responsável pelos desvios da Prefeitura de Londrina, mas foi solto por decisão do Tribunal de Justiça (TJ).
O pagamento ilegal das marmitas resultou na denúncia de 17 pessoas (ver quadro). Segundo o MP, em 98 a Comurb fabricou uma licitação de R$ 32 mil para o pagamento de marmitex, em nome de Humberto João Maccagnan ME, razão social do restaurante que pertence a Tertuliana Maria Bicudo Maccagnan, a ''Dona Rosa'', chefe do cartório da 41ª Zona Eleitoral de Londrina.
Para complementar o pagamento dos marmitex, houve um novo pagamento de R$ 35.460 à Edificadora Vêneto, de Curitiba, que tinha como sócio Solano da Ros. O cheque foi depositado na conta de Arion Cruz Santos, que transferiu R$ 30 mil para a conta de Rosa Maccagnan. Rosa confessou ao MP que recebeu dinheiro da Comurb pelo fornecimento de marmitex a cabos eleitorais de Janene, Antonio Carlos e Canziani. ''Ficou evidenciado o emprego de dinheiro público nas campanhas eleitorais'', ressaltou o promotor Cláudio Esteves, um dos autores da ação.
Ontem, Belinati não quis falar sobre as denúncias. Seu advogado, Antônio Carlos de Andrade Vianna, não acredita na decretação das prisões. ''Eles não fizeram nada de novo que pudesse abalar as posições anteriores do TJ'', afirmou. Vianna, que também defende Janene, disse estranhar o fato de o deputado não aparecer na denúncia criminal. ''Isso mostra duas coisas: ou má-fé ou despreparo processual''.
Cláudio Esteves esclareceu que não há elementos que impliquem criminalmente os deputados. Ainda assim, defendeu o promotor, eles respondem na qualidade de favorecidos, de acordo com a Lei de improbidade administrativa. Esteves preferiu não rebater as críticas de Vianna. ''Não vamos perder tempo com essas afirmações levianas'', resumiu.

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