Wilson Silveira
Agência Folha
De Brasília
O Ministério Público de Mato Grosso solicitou à Polícia Federal abertura de inquérito para apurar suposta fraude no estudo prévio de impacto ambiental da hidrovia Tocantins–Araguaia, uma das obras do Programa Avança Brasil. O pedido foi feito pela Comunidade Xavante, representada pelo advogado Fernando Batista, de São Paulo.
O objetivo do inquérito, que pode resultar em processo judicial contra a administração da hidrovia (subordinada ao Ministério dos Transportes), é apurar o sumiço de parte do relatório antropológico, feito com base em consultas às cerca de 20 comunidades indígenas que habitam na área de influência da hidrovia.
Batista disse que o principal problema da hidrovia é que não existe metodologia de avaliação de impacto ambiental da dragagem de um rio como o Araguaia – que tem leito arenoso e que alaga até 40 km de planície na cheia.
Segundo ecologistas, o Araguaia é um rio jovem, cujo leito ainda está em formação – o que tornaria arriscada a dragagem para permitir a passagem de embarcações de carga durante dez meses por ano. A hidrovia abrange três rios (das Mortes, Araguaia e Tocantins), que passam por Mato Grosso, Goiás e Maranhão, numa extensão superior a 2.000 km.

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