Curitiba - O Ministério Público (MP) federal pediu o apoio da Polícia Federal na investigação da denúncia de suposta gestão fraudulenta por parte da diretoria da Fundação Copel, fundo previdenciário dos funcionários da Copel, no período de janeiro a novembro de 2003, primeiro ano do governo Roberto Requião (PMDB). O MP entrou com pedido junto à 2 Vara da Justiça Federal Criminal de Curitiba para abertura de inquérito policial com o objetivo de investigar com maior profundidade a denúncia feita por membros do Conselho Deliberativo da Fundação Copel.
A denúncia foi formulada após o próprio governador ter alertado sobre a possibilidade de irregularidades no órgão de previdência dos funcionários da Copel.
O MP federal avaliou a denúncia com base num relatório feito pela Kroll, empresa internacional de investigação. A procuradoria considerou o assunto ''extremamente complexo'' e por isso avaliou que o caso merece uma investigação criminal ampla, com produção de provas técnicas, operação que implica em abertura de sigilo bancário, telefônico e outros. No entender da procuradoria, a Polícia Federal tem mais condições de pedir os documentos necessários para a produção das provas técnicas. Somente após a conclusão dessa investigação o MP pretende se posicionar se haverá o oferecimento de denúncia ou o arquivamento do caso.
Fontes ligadas ao MP disseram que é certo que o caso não será arquivado, mas sim melhor investigado. Temendo precipitação e até para benefício das pessoas que devem ser investigadas, no caso membros da antiga diretoria da Fundação Copel, o MP federal achou melhor pedir a abertura de uma investigação policial.
Os indícios de ocorrência de irregularidades estão respaldados pelo relatório da Kroll. Entre os indícios, o MP recomenda o questionamento sobre as operações com debêntures e as transferências de fundos entre instituições financeiras.
A Kroll concluiu o relatório em que aponta malversação dos recursos financeiros da fundação no período de janeiro a dezembro de 2003, que provocou prejuízos estimados em R$ 180 milhões. O relatório sustenta que a entidade comprou papéis de valor questionável da Universidade Luterana Brasileira (Ulbra) e de concessionárias de pedágio. A fundação autorizou ainda a transferência de R$ 300 milhões em aplicações do banco Itaú para os bancos Santos e Panamericano, arcando com os custos da CPMF (cerca de R$ 1,2 milhão).
De acordo com o MP federal, as provas apresentadas pelo ex-presidente da Fundação Copel, Othon Mader Ribas, foram consideradas insuficientes. O ex-presidente preferiu não comentar o assunto até que o MP emita opinião ou decisão a respeito de sua gestão à frente da entidade, no ano passado.

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