Uma declaração protocolada na 41 Zona Eleitoral de Londrina no último dia 17 levou o Ministério Público (MP) a solicitar novos esclarecimentos ao prefeito Nedson Micheleti (PT) relativos à investigação sobre utilização de recursos não contabilizados - vulgarmente chamado de Caixa 2 - em sua última campanha municipal, em 2004. Na petição, a empresária Maria do Rocio Ferreira Pedalino, diretora da Empresa Londrinense de Engenharia Ltda., afirma que contribuiu com R$ 46.600 para o comitê do candidato petista, mas não obteve o recibo ''apesar da insistência com a organização da campanha''.
O advogado Bruno Pedalino, que também assina a declaração, afirma que a doação foi decidida pelo marido da empresária, Salvador Pedalino - ambos são primos -, que faleceu dois meses depois. De acordo com ele, os cheques foram devolvidos pelo comitê após uma operação da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) apreender documentos no comitê de campanha. ''Entretanto (...), o tesoureiro da campanha insistiu na necessidade do partido em receber doação da empresa para a campanha''.
Em dificuldades financeiras após a morte do marido, e com pendências a receber da secretaria de Obras, Maria do Rocio teria sido procurada pelo secretário municipal de Obras, Aloysio Crescentini de Freitas, e orientada a emitir ''cheques de menores valores pós-datados, no período de 30 em 30 dias, bem como os apresentassem ao sr. Marcelo Almeida de Oliveira, o qual descontaria os referidos cheques, e repassaria o dinheiro ao partido''. Marcelo de Oliveira é proprietário da Credilon - empresa financeira sediada em Londrina.
A declaração foi encarada pelo MP como fato novo na prestação de contas, o que justificou a solicitação à justiça eleitoral para que intime o prefeito a se manifestar. A declaração do MP é assinada pelo promotor Miguel Jorge Sogayar. O advogado Bruno Pedalino disse que ''não se pode negar que Aloysio fez o pedido de doação e não deu recibo'' e que Marcelo Oliveira ''fez uma operação irregular porque não tem instituição bancária e não pode cobrar juros''. A empresária está de luto familar esta semana e não foi encontrada pela FOLHA. O caso também está sob investigação do Grupo Especial de Atuação Contra o Crime Organizado (Gaeco), mas o promotor Cláudio Esteves não quis se manifestar.
Desavença
O empresário Marcelo de Oliveira confirmou a operação com Maria do Rocio, mas negou o repasse de verba à campanha petista. De acordo com ele, a acusação é fruto de uma desavença pessoal entre os dois. Oliveira, Pedalino e Aloysio Crescentini de Freitas são parentes afins, casados com três primas-irmãs. ''Pedalino era meu advogado na época e me procurou pedindo para trocar um cheque dessa senhora. Eu atendi em respeito a ele e porque tenho uma financeira. Mas nunca fiz repasse para o PT.'' Ele acrescentou que a acusação mostra que o advogado Pedalino ''um dia te atende e depois que você o dispensa, te ataca''.
O secretário de Obras, Aloysio de Freitas, reconheceu ter pedido doação de campanha ao empresário Salvador Pedalino, mas de forma regular. ''Pedi da mesma maneira que fiz com outros empresários: quanto quiser, se puder, todos nominais a Nedson e contra-recibo.'' O secretário também alegou que a acusação de Pedalino está associada a desavenças particulares com Oliveira.

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