O Ministério Público (MP) entrou ontem com a sexta ação civil pública desde o início de 2008 com pedido de afastamento de vereadores londrinenses. O novo processo se refere ao caso Shirogohan - que apura eventual pagamento de propina de R$ 15 mil, pelo empresário Claudemir Medeiros, a nove vereadores, com o fim de alterar lei de zoneamento que permitiu ao estabelecimento erguer um motel ao lado do estabelecimento, na BR-369, saída para Ibiporã. O MP acusa os envolvidos de improbidade administrativa, enriquecimento ilícito e afronta aos princípios constitucionais de legalidade e lealdade às instituições públicas.
Na semana passada, o Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) já havia entrado com ação criminal relativa ao caso Shirogohan. No total, as ações decorrentes do escândalo de corrupção na Câmara já chegam a 13 este ano.
Foram citados na ação civil pública, o presidente da Câmara, Sidney de Souza (PTB), o líder do Executivo Gláudio Renato de Lima (PT), o 1º secretário da Mesa Diretora, Renato Lemes, os vereadores já afastados Renato Araújo (PP), Osvaldo Bergamin (sem partido), Flávio Vedoato (PSC) e Luiz Carlos Tamarozzi (PTB) e os ex-vereadores Orlando Bonilha (sem partido) e Henrique Barros (sem partido). Com exceção de Bonilha e Barros, todos os outros tiveram pedido de afastamento cautelar dos cargos requerido pelo MP.
Em caso de condenação, os parlamentares e ex-parlamentares estarão sujeitos à perda dos direitos políticos por dez anos, multa de 300% sobre o valor do enriquecimento ilícito e proibição de contratar com o poder público.
A promotora Leila Voltarelli explicou que o pedido de afastamento dos vereadores visa impedir o ''uso do cargo para acessar documentos e informações importantes à instrução do processo''. Além disso, de acordo com ela, as eventuais infrações podem gerar processos disciplinares, no próprio Legislativo, por quebra de decoro parlamentar.
''Os atos têm reflexo dentro da Câmara e estas pessoas devem ser impedidas de participar destes processos'', justificou a promotora. Com exceção de Orlando Bonilha, todos os outros acusados negaram à FOLHA e em depoimento ao Gaeco qualquer participação em irregularidades.

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